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130 anos: Eirunepé ainda não tem nenhuma casa de apoio para crianças e adolescentes vítimas de agressões

Enquanto a vulnerabilidade de crianças e adolescentes grita por socorro silencioso em Eirunepé-AM, o município segue sem um dos serviços mais essenciais para garantir a dignidade de quem mais precisa: uma Casa de Apoio. Não há, até hoje, uma estrutura institucional para acolher temporariamente menores em situação de risco. Isso tem deixado o Conselho Tutelar em situação crítica, e muitas vezes injustamente acusado de omissão.

Um caso emblemático ainda ecoa na memória de quem se importa com a causa: a voz frágil de uma menina, registrada em um áudio enviado desesperadamente a uma vizinha, pedindo a Deus para sair da casa do pai, usuário de drogas. “Não quero morrer aqui, eu apanho dele, quero sair, me ajuda”, dizia a criança, num grito abafado por um sistema falho. Um apelo que evidencia o quanto a ausência de uma casa de acolhimento pode ser cruel, colocando em risco a integridade física e emocional de crianças que não têm sequer onde se abrigar em segurança.

A realidade é dura: em Eirunepé, não há para onde levar essas crianças quando a casa dos próprios pais se torna um campo de medo, abuso ou abandono. A única alternativa, muitas vezes, é improvisar: deixar a criança na casa de algum familiar ou vizinho, o que nem sempre é seguro ou viável. E quando isso não é possível, o Conselho se vê sem saída e chega a levar essas crianças para sua própria casa até que se encontre uma solução.

Apesar das críticas, poucos sabem que os conselheiros tutelares, já sobrecarregados, frequentemente colocam a mão no bolso para garantir alimentação, vestuário ou transporte a crianças em extrema vulnerabilidade. Eles tentam, com o pouco que têm, fazer o que é possível, mas sem estrutura e sem apoio, não se faz milagre.

Enquanto isso, a cobrança da população recai com peso sobre os conselheiros, como se fossem os responsáveis diretos pela falta de políticas públicas, quando na verdade são os primeiros a denunciar, a agir, e a sofrer com a falta de estrutura.

Projetos para a criação de uma Casa de Apoio até já foram mencionados em discursos e reuniões, mas seguem apenas no campo das promessas. O papel da Prefeitura, da Câmara Municipal e de toda a rede de proteção deveria ser o de tirar esse projeto do papel com urgência. Uma casa como essa não seria luxo, seria o mínimo.

É preciso compreender que o Conselho Tutelar é apenas um elo de uma grande corrente de proteção. Sem políticas públicas efetivas, os conselheiros seguirão sendo o para-raios da revolta popular, quando na verdade estão sendo vítimas do mesmo abandono que atinge as crianças.

A construção de uma Casa de Apoio em Eirunepé precisa sair do discurso e virar prioridade. O futuro das nossas crianças não pode continuar dependendo da boa vontade e do improviso.

Eirunepé Notícias – A voz do povo, com responsabilidade.

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