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Após nota de repúdio da Prefeitura de Eirunepé, vereador Maylson fala em perseguição política, pede desculpas a cristãos e nega intolerância
A repercussão da nota de repúdio divulgada pela Prefeitura Municipal de Eirunepé contra o vereador Maylson Vieira de Araújo ganhou um novo capítulo. Em entrevista ao Portal Eirunepé Notícias na manhã deste sábado (28/03), o parlamentar se manifestou pela primeira vez após o posicionamento oficial do Executivo, classificando a nota como “irresponsável” e afirmando ser alvo de perseguição política.
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Segundo Maylson, a publicação feita pela Prefeitura teria como objetivo desviar o foco de críticas enfrentadas pela gestão municipal. Ele também afirma que houve distorção de sua fala com intenção de colocá-lo contra a população cristã do município.
O caso teve início após a repercussão de uma postagem compartilhada pelo vereador em suas redes sociais, onde constava a frase: “Os religiosos são mais perigosos que os demônios”. A declaração gerou forte reação principalmente de aliados da atual gestão, e motivou a emissão dessa nota oficial.
Em sua defesa, o parlamentar afirmou que o conteúdo não é de sua autoria, mas sim de um texto do teólogo e pastor Cristian Felicidade. Ele explicou que apenas compartilhou a mensagem, acrescentando um comentário pessoal sobre a existência de pessoas que fazem “politicagem” dentro das igrejas.
“O que eu quis dizer é que, assim como existem pessoas verdadeiramente ligadas a Deus, também existem pessoas desonestas em qualquer ambiente. Eu não generalizei, não citei nomes e jamais critiquei padres ou pastores”, declarou.
Ao longo da entrevista, Maylson fez questão de reforçar sua ligação com a fé cristã, afirmando ser católico desde a infância, devoto de Nossa Senhora de Fátima e participante ativo da igreja por muitos anos. Ele também destacou contribuições feitas tanto à Igreja Católica quanto a igrejas evangélicas ao longo da vida.
Apesar de negar qualquer intenção ofensiva, o vereador reconheceu que sua fala pode ter sido mal interpretada e pediu desculpas.
“Quero me retratar a todos os cristãos que entenderam de forma errada. Peço desculpas, do fundo do meu coração, a todos que se sentiram ofendidos”, afirmou.
Mesmo com o pedido de retratação, Maylson foi enfático ao rebater a nota da Prefeitura, alegando que a manifestação institucional representa uma tentativa de silenciar sua atuação como oposição.
Para ele, a liberdade de expressão está sendo colocada em risco. O vereador argumenta que sua fala está amparada pela Constituição e criticou o que chamou de “rotulação indevida” de sua opinião como intolerância religiosa.
Ao ser questionado diretamente se acredita estar sendo alvo de perseguição, o parlamentar respondeu sem hesitar: “Sim. Perseguição política, covardemente”.
Maylson afirmou ainda que continuará exercendo seu papel de fiscalização e oposição à atual gestão, defendendo que o debate público deve ser livre e baseado no contraditório. Ele também levantou questionamentos sobre a postura da Prefeitura que segundo ele, ao assumir defesa institucional de segmentos religiosos, o que poderia ferir o princípio da laicidade do Estado.
O caso segue gerando debates intensos entre a população de Eirunepé, dividindo opiniões entre aqueles que consideram a fala ofensiva e os que veem na situação um embate político.
Enquanto isso, a polêmica levanta uma discussão cada vez mais presente na sociedade, até onde vai a liberdade de expressão e onde começa o respeito às crenças?