Crime Ambiental

Criação ilegal de animais silvestres ainda é rotina em Eirunepé e região

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A criação ilegal de animais silvestres continua sendo uma prática comum no Amazonas, e os números mais recentes acendem um alerta importante. Dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas mostram que, entre 1º de janeiro e 30 de março de 2026, foram registradas 194 ocorrências de apreensão de animais silvestres em todo o estado.

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A maior parte dessas apreensões envolve aves. Ao todo, 121 casos cerca de 62% são relacionados a pássaros mantidos ilegalmente em cativeiro. Espécies como periquito-asa-branca, periquitão-maracanã e papagaios lideram a lista das mais resgatadas, refletindo uma prática cultural ainda muito enraizada na região.

Além das aves, também foram apreendidos répteis e mamíferos, como jabuti-piranga, iguanas, jiboias e até primatas, como o mico-de-cheiro. Há ainda registros envolvendo jacarés, tucanos, preguiças e cutias, o que demonstra a dimensão do problema.

Segundo especialistas, a retirada desses animais da natureza causa impactos diretos no equilíbrio ambiental. As aves, por exemplo, exercem papéis fundamentais na cadeia ecológica, seja como predadoras ou como presas. Quando desaparecem, todo o sistema natural entra em desequilíbrio, afetando desde a reprodução de plantas até a sobrevivência de outras espécies.

Mas, para além dos números estaduais, a situação também chama atenção em Eirunepé e em municípios vizinhos. Não é difícil encontrar, na região, casas onde pássaros são mantidos em gaiolas, muitas vezes capturados diretamente da natureza. Em comunidades do interior, essa prática ainda é vista como algo comum, seja por costume antigo, seja por falta de informação sobre os impactos ambientais e as consequências legais.

O problema é que, mesmo sendo cultural em muitos lugares, a prática é crime ambiental. E mais do que isso, contribui silenciosamente para o desaparecimento de espécies e o enfraquecimento da biodiversidade amazônica.

Outro ponto preocupante é o comércio ilegal, que ainda acontece de forma discreta, inclusive com a venda de animais para consumo, como quelônios. Muitas dessas negociações ocorrem longe da fiscalização, o que dificulta o combate.

Especialistas reforçam que a orientação é clara: não criar animais silvestres. Caso haja interesse, o caminho correto é buscar criatórios legalizados e autorizados pelos órgãos ambientais.

Para quem já possui animais de forma irregular, existe a possibilidade de entrega voluntária sem penalidades, uma alternativa importante para reduzir os impactos e permitir que esses animais retornem ao ambiente adequado ou sejam encaminhados para reabilitação.

A realidade mostra que o desafio não é apenas de fiscalização, mas também de conscientização. Em cidades como Eirunepé, onde a relação com a natureza é direta e intensa, preservar a fauna não é apenas uma obrigação legal é uma questão de responsabilidade com o futuro da própria região.

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