Mais de 35 anos!!

Caso Myrella: Após mais de 4 anos de espera, Justiça condena padrasto e mãe no caso que chocou Eirunepé-Am

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Foram mais de quatro anos de espera. Mais de quatro anos de dor, revolta, perguntas sem respostas e um sentimento que acompanhou Eirunepé desde novembro de 2021, o desejo de que a Justiça fosse feita.

Na noite desta quarta-feira (03), esse capítulo começou a ser encerrado. O 1º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus condenou Antônio Sirlande Coelho da Silva a 35 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de feminicídio e estupro de vulnerável praticados contra sua enteada, Myrella Eloiza da Costa Lima, de apenas 13 anos. A mãe da adolescente, Maria Janeide Pereira da Costa, também foi condenada a 10 anos, 4 meses e 8 dias de prisão por estupro de vulnerável por omissão.

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A decisão acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas, encerrando um dos processos criminais mais acompanhados e comentados da história recente de Eirunepé.

Desde o início, o caso provocou indignação na população. A brutalidade dos fatos chocou moradores, mobilizou autoridades e deixou uma marca profunda na memória da cidade. Ao longo da investigação, foi apontado que a adolescente teria sofrido abusos sexuais reiterados dentro do próprio ambiente familiar, local que deveria ser de proteção e segurança.

As investigações também concluíram que, em novembro de 2021, a jovem foi assassinada com extrema violência. O Ministério Público sustentou que o homicídio ocorreu dentro de um contexto de violência de gênero e foi antecedido pelos abusos praticados contra a vítima.

Outro ponto que chamou a atenção durante todo o processo foi a responsabilização da mãe da adolescente. Segundo o entendimento acolhido pelos jurados, ficou demonstrado que ela tinha conhecimento das denúncias feitas pela filha e não adotou medidas para impedir que os crimes continuassem acontecendo.

O julgamento aconteceu em Manaus após o desaforamento do processo, mecanismo previsto em lei para garantir a imparcialidade dos jurados e a regularidade do julgamento.

Nas redes sociais, a notícia da condenação deve repercutir entre moradores de Eirunepé. Muitas manifestações foram marcadas por sentimentos de tristeza pela perda irreparável da adolescente, mas também de alívio ao ver o caso chegar a um desfecho judicial.

A condenação não traz Myrella de volta. Não devolve os sonhos interrompidos, os planos que ficaram pelo caminho nem a dor carregada por familiares e pessoas que acompanharam a tragédia. Mas representa uma resposta do Estado diante de um crime que abalou profundamente a sociedade eirunepeense.

Depois de quatro anos, a Justiça finalmente deu sua resposta.

E para uma cidade inteira que acompanhou cada capítulo dessa história, fica a sensação de que, mesmo tardando, a verdade encontrou seu caminho até o tribunal.

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