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Acusado de estuprar e matar enteada de 13 anos em Eirunepé vive livre em Manaus com a mãe da vítima; Justiça ainda não marcou julgamento

Quase quatro anos após um dos crimes mais bárbaros e revoltantes já registrados no município de Eirunepé, no interior do Amazonas, o caso da adolescente Myrella Eloiza da Costa Lima, de apenas 13 anos, continua sem desfecho judicial. O acusado, Antônio Sirlande Coelho, que na época tinha 28 anos, foi preso em flagrante após estuprar e assassinar brutalmente a enteada, mas hoje vive livre e tranquilo em Manaus, com tornozeleira eletrônica, ao lado da mãe da vítima.

O crime aconteceu no dia 17 de novembro de 2021, dentro da casa onde a vítima morava com a mãe e o padrasto. De acordo com a Polícia Civil, Sirlande molestava Myrella há algum tempo. Naquela manhã, após a menina ameaçar contar tudo aos familiares, ele desferiu uma facada no pescoço e outras mais de 20 facadas por todo o corpo da criança, que morreu no local.

Após o assassinato, o acusado ainda tentou se matar com três golpes de faca contra o próprio peito, mas foi socorrido com vida e preso em flagrante.

A comoção na cidade foi imediata. Moradores se reuniram em frente ao Hospital Regional Vinícius Conrado, onde o acusado recebeu atendimento, clamando por justiça. A brutalidade do caso mobilizou a comunidade e expôs a fragilidade da proteção à infância no interior amazonense.

Mas mesmo com todos os elementos reunidos laudos, flagrante, confissão e revolta popular a Justiça do Amazonas ainda não marcou o julgamento por júri popular. Em 2024, o réu foi posto em liberdade com monitoramento eletrônico, autorizado a aguardar o julgamento em Manaus, longe dos olhares e da indignação do povo de Eirunepé.

Hoje, vive ao lado da mãe da menina que ele assassinou, numa convivência que causa ainda mais espanto e revolta à população local.

“Essa é a justiça do Brasil. O cara mata uma criança com mais de 20 facadas e está solto, tomando café da manhã como se nada tivesse acontecido. A mãe, então, está com ele… Isso é um pesadelo que nunca acaba”, disse uma internauta em áudio ao Eirunepé Notícias.

O Ministério Público já se manifestou favorável à pronúncia do réu, mas até agora, nenhuma data foi definida para o julgamento. O processo corre lentamente, enquanto a dor dos familiares de Myrella só aumenta.

“Minha sobrinha está debaixo da terra, e o assassino dela está em casa, andando de tornozeleira. Isso é justiça?”, questiona, com lágrimas nos olhos, uma tia da menina.

A população de Eirunepé cobra respostas. Nas redes sociais, o caso volta a ser lembrado por internautas indignados com a impunidade e com o silêncio das autoridades. Há um apelo coletivo: que a vida de Myrella não seja esquecida, e que o responsável pague, com o rigor da lei, pelos crimes hediondos que cometeu.

Enquanto o tempo passa, o silêncio da Justiça machuca mais que as facadas. Myrella se foi mas a cidade inteira continua gritando por ela.

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