Hoje, Eirunepé completa 131 anos. Um número que, para alguns, poderia ser motivo de festa para outros, um chamado à reflexão. Mas 131 anos de quê, afinal? O que a cidade construiu ao longo de mais de um século de história?
É inegável que Eirunepé deixou marcas no Amazonas. Produziu líderes, fez governadores, e seus nomes atravessam o cenário político. Mas, ao olhar de perto, nos perguntamos por que esta cidade, que tanto fez, nunca se tornou a capital do Juruá? Por que não se impôs de forma mais firme, mais respeitada?
O que vemos é um quadro ambivalente. Há beleza na cidade, gente boa, caridosa, sonhadora. Mas há também sombras. Eirunepé é terra de ambição, e a ambição nem sempre se veste de transparência. Há sorrisos que escondem intenções, mãos que apertam mas também puxam para baixo, olhares que julgam e ações que destroem discretamente.
O cotidiano revela isso, grupos de WhatsApp que viram tribunais, Pasquins que se espalham sem nome de autoria, fofocas que se transformam em verdades absolutas. E a população? Muitos observam, mas poucos falam. O medo sutil de se posicionar, de contrariar, de ser julgado, constrói um silêncio coletivo. Um silêncio que não é de paz, mas de cautela, de sobrevivência social.
Enquanto isso, quem trabalha com seriedade e dedicação raramente é valorizado. A cidade aplaude conquistas de fachada, mas não reconhece o esforço genuíno. Eirunepé, cidade de risos e gentilezas, também é cidade de olhos desconfiados e bocas cerradas. Um lugar onde o sucesso do outro pode despertar inveja, e o conselho sábio é muitas vezes ignorado, em nome de interesses próprios.
O comércio, ainda é vítima da velha desculpa da logística. Mas não é apenas logística, é desunião, é falta de escuta, é uma resistência quase cultural a aprender com o outro. A cidade mais antiga da calha do Juruá deveria ser referência, mas sequer possui uma associação comercial forte. Os sindicatos existem, mas muitos puxam para si, esquecendo que a força de uma comunidade está na coletividade, não no individualismo.
Comemorar 131 anos não pode se limitar a festas ou discursos protocolares. É preciso perguntar que cidade queremos ser? Que Eirunepé queremos legar? Uma cidade de intrigas e desconfianças, onde o medo cala vozes? Ou uma cidade que valoriza o esforço, reconhece o trabalho, e encontra na coletividade seu verdadeiro poder?
Eirunepé tem história, tem força, tem nomes que se destacaram. Mas a pergunta permanece, será que teremos coragem de olhar para dentro, de encarar nossos próprios medos, de ouvir e transformar, para que os próximos anos não sejam apenas mais números, mas capítulos de uma cidade que aprendeu a se respeitar e a se valorizar?
O aniversário é hoje. O futuro? Esse depende do que cada um escolher fazer, vamos ser mais gratos, reconhecer quando tiver dando certo, e saber falar quando tiver dando errado, chega de bajulismo, puxassaquismo e falsidades, vamos dizer é hora de crescer e transformar. Em fim essa é a nossa mensagem Feliz aniversário Eirunepé.
Do Portal Eirunepé Notícias para todos vocês.

