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“Em Itamarati-Am, pai pediu pela vida da filha”: Bebê morre e mãe também não resiste após dificuldades no resgate e falta de médico

Um caso envolvendo a morte de uma mulher indígena e de seu bebê está sendo investigado pelo Eirunepé Notícias e levanta questionamentos sobre a estrutura de atendimento e remoção de pacientes indígenas no interior do Amazonas.

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Na última terça-feira 15/09, o pai da gestante gravou um vídeo em Itamarati fazendo um apelo pela vida da filha, que estava grávida e recebia atendimento no município. Naquele momento, a informação repassada à reportagem era de que não havia cirurgião disponível para realizar o procedimento necessário.

Posteriormente, a reportagem recebeu novos relatos que ajudam a esclarecer o que aconteceu antes da chegada da paciente a Itamarati.

Segundo informações repassadas à reportagem, a gestante, identificada como Albocor Maria Kanamari, entrou em trabalho de parto no dia 12 de setembro, ainda na aldeia Santa Luzia. O bebê teria morrido ainda na aldeia, antes da chegada da mãe ao município.

A partir daí, teria começado uma longa tentativa de remoção da paciente. Conforme o relato, uma embarcação apresentou problemas no motor durante o deslocamento e, devido às condições de navegação em um igarapé que estaria muito seco, a equipe precisou retornar para buscar outro motor.

A paciente teria permanecido deitada em uma canoa durante parte do trajeto, exposta ao sol, até conseguir chegar ao polo da aldeia Morada Nova. Como não havia condições de continuar a viagem durante a noite, ela teria passado a noite no local.

No dia seguinte, a paciente foi levada para Itamarati. Segundo o relato, ela já chegou bastante debilitada e com o bebê morto.

Ainda conforme as informações recebidas pelo portal, não havia médico responsável por cirurgia no município naquele momento, e já na quarta-feira 16/09. Uma remoção aérea foi solicitada para levar a paciente a Manaus.

Durante o deslocamento, porém, o estado de saúde da mulher teria se agravado. A aeronave precisou pousar em Carauari, onde a paciente recebeu atendimento, mas não resistiu. A morte foi comunicada à família na noite de quinta-feira 17/09.

•Família inicialmente responsabilizou prefeito

No início da apuração, através de áudio um tio da vítima havia relatado ao Eirunepé Notícias que problemas relacionados à falta de atendimento médico em Itamarati, já teriam sido comunicados anteriormente e responsabilizou o prefeito João Campelo pela situação, cobrando providências da administração municipal.

O Eirunepé Notícias chegou a buscar um posicionamento da Prefeitura de Itamarati para esclarecer a situação e aguarda manifestação oficial.

No entanto, durante a continuidade da apuração, uma liderança indígena apresentou uma versão diferente sobre a responsabilidade pelo caso.

Arcadio Mariulde, do povo Kanamari, integrante da OPIJU e fiscal da Rede de Mulheres Indígenas Makira Etta, afirmou à reportagem que não responsabiliza a Prefeitura de Itamarati nem o hospital municipal pelo ocorrido.

Segundo Mariulde, o principal problema estaria relacionado à estrutura da saúde indígena, especialmente à demora e às dificuldades para realizar o resgate de pacientes que vivem nas aldeias.

A liderança afirmou ainda que pedidos por um resgate adequado, inclusive com helicóptero para situações emergenciais, já teriam sido feitos anteriormente. Ela também relatou dificuldades recorrentes para transportar pacientes das comunidades até os polos de atendimento.

Para Mariulde, caso a paciente tivesse sido retirada da aldeia com maior rapidez, mãe e bebê poderiam ter tido outra possibilidade de atendimento. Essa, porém, é uma avaliação apresentada pela liderança indígena e deverá ser confrontada com informações oficiais e registros médicos.

O Eirunepé Notícias continua apurando o caso para esclarecer quando foi solicitado o resgate, quais meios de transporte estavam disponíveis, quais profissionais estavam de plantão, quando a paciente chegou a Itamarati, por que a transferência aérea foi necessária e quais foram as circunstâncias que levaram à parada em Carauari.

A reportagem também busca manifestação dos responsáveis pela saúde indígena e da Prefeitura de Itamarati.

O espaço permanece aberto para todos os envolvidos apresentarem esclarecimentos e o direito de resposta.

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