O município de Eirunepé vive um momento delicado. Nos últimos meses, tem crescido de forma visível o número de pessoas que estão deixando a cidade em busca de melhores condições de vida em outros municípios e estados do país.
Pequenos comerciantes têm fechado as portas quase mensalmente, enquanto moradores tentam vender motos, casas, terrenos e outros imóveis como forma de juntar dinheiro para recomeçar em outro lugar. Segundo relatos de vendedores de passagens, Manaus tem sido o principal destino, seguido por Rio Branco, Cruzeiro do Sul e até cidades mais distantes, como municípios de Santa Catarina.
A situação reflete um cenário de depressão econômica que atinge o município. Embora parte da crise esteja ligada ao contexto da economia nacional, moradores apontam que a falta de oportunidades locais tem sido decisiva para a saída de muitas famílias. Há relatos de pessoas desempregadas há quase um ano, sem renda fixa e sem perspectiva de contratação.
“Dá para sobreviver, mas não dá para viver”, resumiu um comerciante ouvido pelo portal. A frase tem sido repetida por muitos moradores que descrevem uma realidade marcada pela dependência quase total da economia pública. Em Eirunepé, segundo relatos, a maior parte do dinheiro que circula na cidade vem da prefeitura, de programas sociais e de benefícios governamentais.
Outro ponto levantado por comerciantes é a fragilidade do comércio local, que, segundo eles, nunca conseguiu se fortalecer por falta de união da própria classe empresarial. Essa desorganização histórica contribuiu para um comércio fraco, e competitivo e vulnerável às crises.
Além disso, o aumento do endividamento da população, com empréstimos e consórcios, tem agravado ainda mais a situação financeira de muitas famílias, que acabam vendo na migração a única saída possível.
O portal Eirunepé Notícias ouviu profissionais qualificados, com formação técnica e superior, que já estão de mudança ou planejando sair de Eirunepé em busca de emprego e estabilidade. Para muitos, a decisão é difícil, mas necessária diante da falta de perspectivas.
Enquanto isso, a cidade enfrenta um desafio urgente, reter sua população, gerar emprego e reconstruir sua economia, antes que o êxodo silencioso se transforme em um problema ainda maior para o futuro do município.

