Eirunepé vive uma situação econômica que já deixou de ser apenas assunto de conversa de esquina. O comércio sente no bolso, consumidores estão comprando menos e muitos comerciantes relatam dificuldades para manter o movimento de seus estabelecimentos. Até aí, nenhuma novidade para quem vive diariamente a realidade do município.
A novidade é que, nos últimos dias, a crise ganhou microfone, câmera de celular e uma verdadeira temporada de vídeos políticos.
Tudo começou quando o vereador Mailson publicou um vídeo comentando as reclamações que vem ouvindo da população sobre a situação econômica do município. O parlamentar falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos comerciantes e sobre o cenário complicado vivido atualmente em Eirunepé.
Até aí, seria apenas mais uma manifestação política.
Mas, aparentemente, em Eirunepé uma crítica não pode ficar sozinha por muito tempo.
Logo depois, o prefeito de Itamarati, João Campelo, marido da prefeita de Eirunepé, Áurea Marques, também apareceu em vídeo para responder aos questionamentos.
Campelo defendeu a atual administração e afirmou que não é possível resolver todos os problemas do município em apenas um ano e poucos meses. Também destacou o pagamento da folha salarial, afirmando que a gestão possui uma das maiores folhas já vistas e que, até o momento, os salários não teriam atrasado.
Também citou obras e melhorias na trafegabilidade e nas ruas do município.
E quando parecia que a história terminaria por aí…
Entrou mais um personagem no episódio.
O ex-candidato a Prefeito que foi derrotado nas eleições de 2024 derrotado, também decidiu gravar seu próprio vídeo. Desta vez, o assunto passou por problemas relacionados à saúde, incluindo reclamações envolvendo posto de saúde, hospital e outros serviços públicos.
Pronto.
O que era uma discussão sobre economia virou praticamente uma mesa-redonda política só que sem mesa, sem mediador e com cada participante gravando do próprio celular.
E a população, claro, não perdeu a oportunidade de entrar na conversa. Nos comentários das redes sociais, começaram a surgir críticas para todos os lados.
Alguns internautas questionaram Mailson, lembrando que ele já foi vereador durante administrações anteriores e perguntando por que determinadas cobranças não teriam sido feitas com a mesma intensidade naquele período.
Outros passaram a fazer críticas a antigos ocupantes de cargos públicos e também a Anderson, secretario de obras na época, enquanto parte dos comentários defendia a atual administração.
Ou seja, em poucas horas, Eirunepé ganhou uma espécie de campeonato informal de “quem tem mais problemas para apresentar”.
E o mais curioso é que todos parecem concordar com uma coisa.
Eirunepé tem problemas.
A grande divergência está em quem deve explicar por que eles existem. De um lado, há quem diga que a atual gestão precisa ser cobrada porque é quem está no comando.
Do outro, há quem responda que não se pode colocar nas costas de uma administração de pouco mais de um ano todos os problemas acumulados durante anos.
E no meio disso tudo está o cidadão.
•O comerciante que abre a porta pela manhã esperando vender.
•O trabalhador que precisa do salário para pagar as contas.
•A família que precisa de atendimento de saúde.
O consumidor que diminuiu as compras porque o dinheiro simplesmente não está circulando como antes.
Enquanto políticos trocam vídeos, respostas e críticas, a pergunta que realmente interessa continua sendo bem simples.
Por que Eirunepé chegou a esse ponto?
A resposta não parece estar em um único governo, em um único vereador ou em um único candidato derrotado.
Uma crise econômica nacional normalmente é resultado de vários fatores, falta de circulação de dinheiro, redução do poder de compra, dificuldades na geração de empregos, dependência do setor público, problemas estruturais e decisões administrativas que podem produzir efeitos ao longo do tempo.
Por isso, transformar tudo em uma disputa de “quem fez menos” ou “quem fez mais” pode até render visualizações, comentários e algumas boas brigas na internet.
Mas não coloca dinheiro no caixa do comerciante. Não aumenta o salário de ninguém, não resolve um problema no hospital. E muito menos faz a economia voltar a girar.
No fim das contas, talvez a população esteja menos interessada em saber quem ganhou a batalha dos vídeos e muito mais interessada em saber quem vai apresentar soluções concretas.
Porque vídeo todo mundo consegue gravar, resposta todo mundo consegue dar, comentário todo mundo consegue fazer.
O difícil mesmo é fazer a economia de Eirunepé voltar a respirar. E essa, infelizmente, ainda não ganhou vídeo de resposta.

