Emendas e contratos sem licitação
R$ 96 mil por uma sala em Manaus? Contrato ligado à família de Silas Câmara coloca Eirunepé em destaque nacional
Uma reportagem publicada pelo portal Metrópoles trouxe à tona contratos firmados por prefeituras do interior do Amazonas com uma empresa administrada por familiares do deputado federal licenciado Silas Câmara. Entre os municípios mencionados está Eirunepé, administrado pela prefeita Professora Áurea.
Segundo a publicação, a Prefeitura de Eirunepé contratou a empresa Milenium Sociedade de Participação e Administração Ltda., administrada por Milena Ramos Câmara, filha do parlamentar. O contrato, assinado em maio de 2025, prevê o pagamento de R$ 96 mil pela locação de uma sala comercial em Manaus, com parcelas mensais de R$ 8 mil.

Prefeituras pagam por sala situada em endereço na Rua Ernesto Pinto Filho, bairro Parque 10 de Novembro, Manaus (AM)
A reportagem informa que a contratação foi realizada por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação para casos em que não há possibilidade de concorrência. O espaço seria destinado à representação institucional do município na capital amazonense.
Além de Eirunepé, também foram citados os municípios de Itamarati e Fonte Boa, que firmaram contratos semelhantes com a mesma empresa. De acordo com o Metrópoles, os três municípios receberam recursos federais por meio de emendas parlamentares destinadas por Silas Câmara.
Dados do sistema Siga Brasil apontam que Eirunepé recebeu R$ 500 mil em emendas parlamentares em 2025 e possui outros R$ 500 mil destinados para 2026. A coincidência entre os repasses federais e as contratações foi destacada pela reportagem, que levantou questionamentos sobre a situação.
Até o momento, não há informação sobre investigação oficial ou acusação formal relacionada aos contratos.
Em nota encaminhada ao Metrópoles, a defesa de Silas Câmara afirmou que a empresa é administrada exclusivamente por sua filha e que não existe qualquer prova de participação do deputado nos contratos celebrados pelas prefeituras. Os advogados sustentam que não há demonstração de benefício financeiro direto ao parlamentar e que eventuais relações entre a destinação de emendas e as contratações não podem ser presumidas sem elementos concretos.
A Prefeitura de Fonte Boa informou que o contrato citado já não está mais em vigor. Já as prefeituras de Eirunepé e Itamarati, segundo o portal, não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
Fonte: Metrópoles