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Realidade cruel: Aumenta o número de adolescentes se prostituindo para usar drogas em Eirunepé-Am

Uma realidade triste e perturbadora vem se escancarando nas ruas de Eirunepé: o crescimento alarmante do número de jovens e adolescentes, em sua maioria meninas, que têm recorrido à prostituição em troca de drogas, especialmente maconha, crack e outras substâncias ilícitas. O que antes era um problema velado, agora está visível a olhos nus.

Todos os dias, moradores relatam cenas chocantes: meninas muito novas, com aparência raquítica e olhar perdido, abordando desconhecidos em esquinas, becos e até nas praças públicas. Em troca de qualquer valor, alimento ou até mesmo uma simples bituca de maconha, muitas se submetem a situações degradantes. Em alguns casos, relatos indicam que elas sequer pedem dinheiro, basta a promessa de alguma droga para se entregar.

“Isso tá ficando fora de controle. É menina de 12, 13 anos, parecendo uma sombra do que já foi, pedindo coisa em troca de droga. Cadê o Conselho Tutelar? Cadê o CRAS? Cadê a assistência social? Cadê a polícia?”, desabafa uma moradora do bairro Nossa Senhora de Fátima, que prefere não se identificar.

O fenômeno não é isolado. Relatos semelhantes chegam de bairros como São José e do Centro. Segundo moradores, a presença dessas jovens nas ruas aumentou drasticamente nos últimos seis meses. Algumas já são conhecidas da vizinhança. Outras vêm de comunidades ribeirinhas e acabam sendo aliciadas na cidade em troca de moradia, vício e “proteção”.

• GRITO DE SOCORRO IGNORADO?

Enquanto a população se choca com a cena cada vez mais frequente, o que se vê por parte das autoridades é um silêncio sepulcral. Não há campanhas públicas visíveis. Não há fiscalização consistente. Não há projetos de acolhimento sendo divulgados ou praticados. Famílias, escolas e líderes comunitários tentam agir por conta própria, mas sem apoio do poder público, a luta é desigual.

A ausência de uma política pública eficiente de combate às drogas, prevenção à prostituição infantojuvenil e de assistência social para famílias vulneráveis escancara o abandono social de uma parcela da juventude de Eirunepé. Em muitos casos, essas meninas já foram vítimas de violência doméstica, abandono parental, fome e negligência. O uso de drogas surge como fuga. A prostituição, como única moeda de troca.

• CRISE HUMANITÁRIA À VISTA

É preciso encarar os fatos com coragem: Eirunepé vive uma crise silenciosa e perigosa que envolve infância, vício, exploração e abandono. Enquanto não houver mobilização séria de todos os setores, prefeitura, secretarias, conselhos, escolas, igrejas e sociedade civil, o número de meninas perdidas para o vício e para a prostituição só tende a crescer.

O jornal Eirunepé Notícias reforça o apelo da população: chega de silêncio. Chega de fingir que não está acontecendo. Onde estão as autoridades? Quem vai proteger essas meninas?

A infância não pode morrer assim, diante dos olhos de todos.

Compartilhe. Denuncie. Exija ação. Porque o futuro dessas meninas também é responsabilidade nossa.

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