Três anos após a queda do avião em Rio Branco, no Acre, que matou 12 pessoas, as causas do acidente ainda não foram totalmente esclarecidas. Entre as vítimas estavam moradores de Eirunepé e de Envira, no interior do Amazonas.
Nesta quinta-feira (29), a tragédia aérea que marcou a história de famílias acreanas e amazonenses completa três anos. O acidente aconteceu na manhã de 29 de outubro de 2023, quando um avião modelo Caravan, de matrícula PT-MEE, caiu em uma área de mata logo após decolar do Aeroporto Internacional de Rio Branco.
A aeronave, operada pela empresa A.R.T. Táxi Aéreo, seguia com destino ao município de Envira, no Amazonas, e ainda faria uma parada em Eirunepé. A bordo estavam dois tripulantes e dez passageiros. Todos morreram após a queda, que provocou uma explosão e um incêndio.
Segundo os dados mais recentes do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), a investigação chegou a 65% de conclusão. O índice representa um avanço de apenas cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. No primeiro aniversário do acidente, o trabalho estava em 55%; no segundo, em 60%.
Entre os aspectos analisados estão os sistemas e componentes da aeronave, o desempenho humano, fatores psicológicos e os procedimentos de manutenção e reparo. Até o momento, não foram emitidas recomendações de segurança relacionadas à investigação.
O órgão responsável não estabelece um prazo fixo para a conclusão dos relatórios, pois o tempo necessário depende da complexidade de cada ocorrência e da necessidade de identificar possíveis fatores que contribuíram para o acidente.
Vítimas de Eirunepé e Envira
A tragédia atingiu diretamente famílias de municípios do interior do Amazonas. Entre as vítimas estavam os dentistas Jamilo Motta Maciel, de 27 anos, e Raimundo Nonato Rodrigues de Melo, de 32, ambos moradores de Eirunepé. Também morreram Francisco Alexsander Barbosa Bezerra, de 29 anos, e Francisco Eutimar Bernardo de Souza, de 32, naturais de Eirunepé.
Outra história que comoveu a população foi a de Ana Paula Vieira Alves, de 19 anos, e sua filha Clara Maria Vieira Monteiro, de apenas 1 ano e 7 meses.
Moradores de Envira também estavam entre as vítimas, incluindo Antônia Elizângela, Edineia de Lima, José Marcos Epifanio e Antônio Cleudo Mattos. A lista também inclui os dois tripulantes: o piloto Cláudio Atílio Mortari e o copiloto Kleiton Lima Almeida.
Muitos dos passageiros haviam viajado ao Acre para realizar tratamentos de saúde e estavam retornando às suas cidades de origem.
Três anos de espera por respostas
Passados três anos, familiares e comunidades que perderam parentes ainda aguardam o esclarecimento das circunstâncias da queda. O avanço da investigação para 65% demonstra que os trabalhos continuam, mas ainda não permite prever quando o relatório final será divulgado.
A tragédia permanece na memória de Eirunepé, Envira e de outras localidades da região, que perderam moradores em um acidente que interrompeu vidas e deixou famílias marcadas pela dor da perda.

