Viajar dentro do próprio estado do Amazonas tem se tornado um desafio quase impossível para quem mora em municípios do interior. Em Eirunepé, a realidade é ainda mais dura. O valor de uma passagem aérea no trecho chega a R$ 2.490,00 por pessoa. Para uma família de quatro passageiros, o custo ultrapassa R$ 9.960,00, valor fora da realidade da maioria da população.
O preço elevado não representa apenas um número. Ele simboliza isolamento, exclusão e desigualdade. Em pleno século XXI, moradores de Eirunepé seguem reféns de tarifas consideradas abusivas, como se o município não fizesse parte do próprio Amazonas. Viajar para resolver questões de saúde, estudo, trabalho ou simplesmente visitar a família virou privilégio de poucos.
A saudade de casa aperta, mas o bolso impede. O direito de ir e vir, garantido na Constituição, parece não chegar a todos da mesma forma. Enquanto em outras regiões do país passagens aéreas custam valores acessíveis, no interior amazônico o deslocamento básico é tratado como luxo.
Até quando essa realidade será normalizada? Até quando visitar a família será sinônimo de sacrifício financeiro extremo? O isolamento geográfico não pode continuar sendo justificativa para preços tão elevados.
Eirunepé resiste, mas o isolamento cansa. Cansa pagar caro para estar perto de quem se ama. A população clama por atenção das autoridades, por políticas públicas eficazes e por soluções que garantam mobilidade, dignidade e respeito a quem vive no interior do Amazonas.

