Saúde

Violência sexual contra crianças e adolescentes cresce em Eirunepé-AM: dados oficiais acendem alerta

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Eirunepé-AM registrou um crescimento expressivo nos casos notificados de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2020 e 2024. Os dados foram divulgados no mais recente boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), que analisou todos os municípios do estado.

No ano de 2020, Eirunepé contabilizou apenas duas notificações. Em 2021, esse número subiu para dez. Já nos anos de 2022 e 2023, foram registrados 22 casos em cada ano. Em 2024, o município alcançou a marca de 26 notificações, atingindo uma taxa de 160,2% na faixa etária de 0 a 19 anos.

Esses números revelam que o município aumentou significativamente sua capacidade de identificar e notificar casos. O salto de dois registros em 2020 para 26 em 2024 representa mais de 1.200% de crescimento no período. Isso pode ser interpretado tanto como sinal de maior vigilância e conscientização quanto como indicativo da persistência do problema.

De acordo com o boletim estadual, a maioria das vítimas de violência sexual no Amazonas são meninas (92,6%), com idade entre 10 e 14 anos, representando 55,7% dos casos. Além disso, 84,3% das vítimas se autodeclaram negras (pardas ou pretas). Grande parte dos abusos ocorre dentro da própria residência da vítima, representando 80,2% dos registros. Em mais da metade dos casos (57%), trata-se de estupro de vulnerável, caracterizado por atos sexuais praticados contra menores de 14 anos.

Os autores das agressões, em sua maioria, são homens adultos. Segundo os dados, 92,4% são do sexo masculino, e 36,6% têm entre 25 e 59 anos. Muitos mantêm algum tipo de relação com a vítima: amigos ou conhecidos representam 24,4% dos casos, seguidos por namorados (18,2%) e padrastos (11,4%).

Outro dado preocupante é a subnotificação de estupros que resultam em gravidez precoce. No estado, entre 2020 e 2024, foram registrados 4.966 partos de meninas com idade entre 10 e 14 anos. No entanto, no mesmo período, apenas 2.131 notificações oficiais de violência sexual envolveram vítimas grávidas nessa faixa etária. Isso revela uma diferença de 2.835 partos não notificados como estupro de vulnerável, o que aponta falhas graves no sistema de proteção e registro.

O boletim reforça que o combate à violência sexual depende da atuação integrada dos serviços de saúde, assistência social, segurança pública, conselho tutelar e justiça. A notificação correta e o encaminhamento adequado das vítimas são passos fundamentais para quebrar o ciclo da violência.

Eirunepé, ao apresentar esse aumento contínuo nas notificações, mostra que o município está, de alguma forma, avançando na identificação dos casos. No entanto, o desafio maior ainda está em garantir uma resposta articulada e efetiva para proteger crianças e adolescentes e punir agressores.

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