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Ouça os Áudios: “Eu nasci foi pra viver, não foi pra morrer”: Criança denuncia agressões brutais do próprio pai em Eirunepé-Am
Um áudio desesperado enviado na manhã deste domingo (08), por uma criança da comunidade Estirão 1, zona rural de Eirunepé, escancarou uma realidade cruel que não pode mais ser ignorada. A menina, identificada como “Rafaela”, revelou com palavras sinceras e emocionadas o terror que vive dentro da própria casa. Segundo seu relato, ela vem sendo brutalmente agredida pelo pai conhecido por “Ney” usuário de drogas, e obrigada a dormir debaixo da casa, no frio, sem qualquer cuidado ou proteção.
“Ei tia, por favor, me ajude. Eu não tô suportando mais. O pai tá me enforcando, tá me matando já, por favor. Ele tá fumando… toda vez que ele chega aqui em casa, ele fuma droga, deixando eu dormir debaixo de casa. Vê se a senhora chama o Conselho, por favor, me ajude. Eu nasci foi pra viver, não foi pra morrer não. Meu nome é Rafaela”, disse a criança em áudio enviado a pessoas próximas, que imediatamente tentaram buscar ajuda.
• Audio 1
• Áudio 2
As denúncias, no entanto, não são recentes. Moradores já haviam procurado o Conselho Tutelar diversas vezes, alertando sobre a gravidade da situação. Mas o que se viu até aqui foi uma série de visitas sem resultados, nenhuma providência concreta, e a manutenção do mesmo ciclo de violência. Um dos moradores afirmou, em novo áudio, que o pai da menina, teria agredido Rafaela com um pedaço de pau com prego, além de forçá-la a dormir exposta ao frio e ao abandono. O mesmo morador relatou ainda que a mãe biológica da criança chegou a dar à luz um bebê, mas veio a falecer após nove meses, por falta de cuidados. Uma tragédia que já mostra sinais de que o ambiente familiar é insustentável.
O que causa mais indignação é a resposta das instituições responsáveis por proteger essa criança. A equipe do Eirunepé Notícias entrou em contato com uma mulher identificada como Lorrie, vinculada ao Conselho Tutelar. Ela afirmou que estava na capital Manaus a tratamento de saúde, e nos repassou o número de outra pessoa. Conhecido por Irmão Jair, Entramos em contato, ligamos, enviamos mensagens, e até o momento, nenhuma resposta. Enquanto isso, a menina continua vivendo o inferno descrito nos áudios.
O Conselho Tutelar, segundo relatos de moradores, teria ido ao local por pelo menos três vezes. Mas os próprios populares denunciam que os conselheiros “só conversam” e depois vão embora. Não há retirada da criança, não há encaminhamento à polícia, não há urgência. E a pergunta que grita entre todos nós é: o que mais precisa acontecer para que alguém tome providência?
A situação de Rafaela não é mais um caso de conversa ou conciliação. É um caso de polícia. É tentativa de homicídio. É abandono de incapaz. É tortura. E quando quem deveria proteger escolhe se omitir, o Estado passa a ser cúmplice. O ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, é claro ao afirmar que toda criança tem direito à vida, à dignidade e à proteção integral. Isso não está sendo garantido em Eirunepé.
Mesmo diante da gravidade, seguimos enfrentando um obstáculo que não deveria existir: o medo e o silêncio. A comunidade ainda tem receio de denunciar, de se envolver, e isso enfraquece a luta contra esse tipo de violência. Ainda estamos tentando levantar imagens do local e da criança, mas a cultura do medo e da omissão impera. Porém, os áudios existem. São reais. A dor de Rafaela é verdadeira. E a omissão do Conselho Tutelar é vergonhosa.
A equipe do Eirunepé Notícias se compromete em acompanhar de perto esse caso. Não vamos deixar esse grito de socorro morrer na burocracia. Rafaela não é número de protocolo. É uma criança. Uma vida. E enquanto ela estiver clamando por ajuda, vamos cobrar quem tiver que ser cobrado. Chega de fazer de conta que nada está acontecendo.
Se você sabe de algo, viu algo, ou pode ajudar, denuncie. Para o Eirunepé Notícias (97) 98441-0818 Porque o silêncio, neste caso, também mata.
Rafaela disse com todas as letras: “Eu nasci foi pra viver, não foi pra morrer.” Que esse grito não ecoe em vão.