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VÍDEO: “Índio entende índio. Branco não entende”:15 dias no chão da FUNAI em Eirunepé-Am, indígenas cobram nomeação, dignidade e o fim do abandono
O portal Eirunepé Notícias foi procurado na manhã desta terça-feira (15) na FUNAI. Em uma fala firme e carregada de indignação, dos povos Kulina e Kanamari, Júnior da Silva kulina, da Aldeia Extrema, deu voz ao sofrimento dos povos indígenas que há 15 dias permanecem acampados na Coordenação Técnica Local (CTL) da FUNAI, em Eirunepé. Segundo ele, a ocupação tem como objetivo reivindicar respeito, representatividade e a nomeação da indígena Jeana Baré, para assumir a coordenação da unidade.
“Os servidores têm que entender que eles trabalham pra nós. Não somos nós que somos empregados deles”, afirmou o cacique. “A gente tá lutando pelos nossos direitos como povo originário, que descobriu o Brasil.”
A manifestação conta com a união de lideranças e representantes dos povos indígenas de quatro municípios: Itamarati, Envira, Ipixuna e Eirunepé. Todos mobilizados por um mesmo ideal: Garantir que a gestão da CTL esteja nas mãos de quem conhece de perto a realidade das aldeias.
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• Desrespeito e abandono
Durante os dias de ocupação, os indígenas relatam falta total de apoio, inclusive das autoridades locais. “Dormimos no chão. Fazemos arrecadação de dinheiro pra nos alimentar, porque ninguém nos ajuda aqui no município o único que nós ajudou com um rancho foi o vereador Ray Publicidade”, falou o cacique. Segundo ele, não há diálogo e nem consideração com os povos indígenas, mesmo diante de tantas promessas feitas em campanhas políticas.
“Será que nossa voz não pode ser ouvida? Será que não temos o direito de reivindicar melhorias pro nosso povo? Já chega de tanto sofrimento, já chega de cariuás quererem mandar em nós”, desabafou.
Júnior reforça que a nomeação de Jeana é um clamor vindo diretamente das comunidades indígenas, após deliberação em assembleia realizada na região do Freixeira. “Não aceitamos que pessoas de fora, sem vivência, sejam colocadas para decidir por nós. Queremos alguém que conheça nossas dores e nossas lutas.”
A indignação dos povos originários ecoa um grito por respeito, justiça e autonomia. “Nós temos direito de voz. Chega de imposições. Queremos que o presidente veja a nossa situação e tome providência.”
Durante a ocupação da CTL de Eirunepé, o cacique Júnior da Silva Colina, da Aldeia Extrema, também denunciou uma realidade alarmante: a presença de não indígenas promovendo caças ilegais dentro de territórios tradicionais.
Segundo o cacique, muitos dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas têm origem na entrada desautorizada de pessoas brancas nas áreas protegidas, que muitas vezes causam prejuízos à fauna, ao meio ambiente e à cultura dos povos originários.
“É por isso que a gente não aceita branco. Índio entende índio. Agora branco, não entende. Eles entram nas terras só pra explorar, caçar ilegal, tirar o que é nosso e depois vão embora como se nada tivesse acontecido”, desabafou o líder.
E o Eirunepé Notícias deixa aqui o espaço aberto para que a FUNAI, o poder público municipal e estadual possam se manifestar oficialmente sobre as denúncias feitas pelos representantes indígenas.