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Defesa Civil de Eirunepé-Am deveria alertar sobre a seca, mas segue de olhos fechados e decreto emergencial só no papel
Enquanto os moradores de Eirunepé enfrentam os primeiros sinais de uma estiagem cada vez mais severa, o nível do Rio Juruá segue em constante queda, revelando bancos de areia, encurtando os caminhos e tornando a navegação cada vez mais difícil, principalmente para embarcações maiores.
Em vários trechos do rio, barcos já enfrentam dificuldades para passar, sendo obrigados a manobrar entre áreas rasas, galhadas e curvas perigosas. Canoa encalhada, motor raspando e comunidades já começando a sentir os impactos logísticos são a nova realidade, e o verão ainda está só começando.
Apesar disso, a Prefeitura de Eirunepé decidiu prorrogar por mais 45 dias a situação de emergência… por causa da “cheia”. Isso mesmo: cheia, mesmo com o rio em franco declínio. A contradição entre o que se vê no rio e o que se assina no gabinete é gritante e o povo sente na pele.
Com o Juruá secando, a cidade precisa agora se preparar para o que realmente está chegando: dificuldade de navegação, escassez de acesso a comunidades distantes e risco no abastecimento fluvial. Mas, enquanto isso, o decreto de emergência por inundação segue valendo o que, por coincidência, também facilita dispensas de licitação e acesso a recursos federais.
A Defesa Civil local e as autoridades deveriam, neste momento, alertar a população para os perigos da seca, monitorar os pontos críticos e preparar ações para garantir a chegada de alimentos, medicamentos e combustível às comunidades ribeirinhas. Mas até agora, tudo que o povo vê é o nível do rio baixando e a poeira subindo.
O povo pede socorro. O decreto pede verba. E o rio, esse só pede chuva.