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ANA declara situação crítica de escassez hídrica nos rios da Amazônia; Eirunepé-AM está entre as cidades impactadas
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou, nesta segunda-feira (25), situação crítica de escassez quantitativa dos recursos hídricos nos rios Juruá, Purus e seus afluentes, como o Acre e o Iaco, que atravessam os estados do Acre e Amazonas. A medida, publicada no Diário Oficial da União, terá validade até 31 de outubro de 2025, podendo ser prorrogada ou suspensa conforme as condições dos rios.
Com essa decisão, municípios da região passam a enfrentar oficialmente um quadro de alerta hídrico. Eirunepé-AM, banhada pelo rio Juruá, é uma das cidades diretamente impactadas pela estiagem, situação que já vem sendo sentida pela população com a dificuldade de navegação, encarecimento do transporte fluvial e riscos ao abastecimento de água.
A resolução da ANA tem como objetivo autorizar medidas emergenciais para mitigar os efeitos da seca, como a possibilidade de aplicação de tarifas de contingência por parte dos serviços de saneamento, além de agilizar o reconhecimento de situações de emergência ou calamidade pelos governos locais, facilitando o acesso a recursos federais.
Segundo monitoramentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Censipam, as chuvas nas bacias dos rios Juruá, Purus e Acre estão abaixo da média desde 2023, o que agrava o fenômeno natural da vazante. A previsão para os próximos meses também não é otimista: a tendência é que o cenário de estiagem se mantenha até outubro, com risco de níveis ainda mais baixos.
Para cidades como Eirunepé, onde a navegação fluvial é essencial para a economia, transporte de mercadorias e deslocamento de famílias, a situação representa um grande desafio logístico e social. Além disso, comunidades ribeirinhas já relatam dificuldades no acesso à água potável e ao transporte diário.
A ANA informou que acompanhará de perto a evolução do quadro junto aos órgãos estaduais e municipais, reforçando que o objetivo da declaração é dar segurança jurídica e operacional às ações emergenciais.
Em Eirunepé, a expectativa é de que a medida possa agilizar apoio e garantir recursos para minimizar os impactos da seca que, ano após ano, se mostra cada vez mais severa na região.