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DENÚNCIA: “Se não pagarmos, ninguém vem”, CASAI de Eirunepé vira símbolo do abandono federal

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Funcionários da CASAI de Eirunepé procuraram o Eirunepé Notícias na tarde desta quarta-feira (19/11), revoltados e exaustos com uma situação que já passou de crítica para vergonhosa. Os botes usados diariamente para remoção de pacientes, inclusive crianças em estado grave, estão totalmente sucateados, furados, sem manutenção e colocando vidas em risco.

Na imagem enviada à nossa redação, o teto do bote aparece arrancado, literalmente segurado com uma forquilha, improviso que não deveria existir nem numa embarcação de pesca, quanto mais num veículo responsável por salvar vidas. Os servidores afirmam que os botes estão todos uma imundície, com infiltrações e problemas estruturais sérios.

E o que é pior, muitas vezes, segundo eles, o próprio funcionário precisa pagar do bolso por itens básicos de trabalho, já que os pedidos de materiais não são atendidos.

“Fazemos pedido de tudo, remos, lonas, capas, peças, mas nada chega. Como você tá vendo no vídeo, na remoção dessa criança, o bote nos foi entregue desse jeito. Isso é desumano”, relatou um dos servidores.

A remoção citada aconteceu em situação de urgência, uma criança passando mal, precisando ser levada com rapidez. O problema? A equipe teve que ir num bote quebrado, improvisado e inseguro, porque era o único disponível.

Segundo os denunciantes, o governo federal deveria dar suporte à SESAI (SECRETARIA DE SAÚDE INDÍGENA) para que a própria CASAI DE EIRUNEPÉ garanta as condições mínimas de trabalho, mas a realidade em Eirunepé é o total abandono.

É inadmissível que vidas, especialmente as mais vulneráveis, dependam de embarcações remendadas, improvisadas e perigosas. A CASAI de Eirunepé cumpre uma função essencial para as comunidades indígenas e ribeirinhas, mas está operando em condições que mais parecem cena de filme de guerra do que estrutura de saúde.

Enquanto Brasília vive de discurso bonito na COP30, quem está na ponta é que sente a pancada. Eirunepé merece respeito. Os profissionais da CASAI merecem respeito. E cada paciente transportado merece algo muito maior do que um bote segurado com uma forquilha.

A denúncia está feita. Agora, queremos ver quem vai ter coragem de responder.

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