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Norte lidera cortes de voos no Brasil após alta do petróleo; Amazonas e Acre estão entre os mais afetados
O aumento no preço do petróleo e a pressão nos custos operacionais das companhias aéreas já começam a impactar diretamente a aviação na região Norte do país. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), obtidos pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), mostram que o Norte concentra os maiores cortes de voos do Brasil em maio de 2026.
Ao todo, as companhias aéreas reduziram em 4,3% a oferta diária de voos no país em comparação ao início de abril. Isso representa 93 viagens a menos por dia, retirada de 31 aeronaves de grande porte da operação e cerca de 14 mil assentos diários eliminados.
O Acre aparece como o estado mais afetado do país, com queda de 14,7% na quantidade de voos. Em seguida está o Amazonas, com redução de 13,6%. O Pará também figura entre os estados com maiores perdas, registrando corte de 9,3% na malha aérea.
A redução preocupa especialmente a região Norte, onde o transporte aéreo é considerado essencial devido às longas distâncias e às dificuldades de acesso terrestre e fluvial em diversas localidades.
Segundo os dados da Anac, a projeção de voos diários no Brasil caiu de 2.193, em 2 de abril, para 2.100 em 12 de maio. Na comparação anual, o setor também registra retração: a previsão para maio de 2026 é de 65.105 voos, contra 66.309 realizados no mesmo período de 2025 — redução de 1.204 decolagens.
O principal motivo apontado pelas companhias é o aumento do querosene de aviação, combustível que representa cerca de um terço dos custos operacionais das empresas. Desde fevereiro, o preço internacional do petróleo disparou em meio ao conflito no Oriente Médio, especialmente após a escalada da guerra envolvendo o Irã.
Outro fator que preocupa o setor é o fim do incentivo fiscal sobre o combustível aéreo, previsto para 31 de maio. Sem a redução tributária, a expectativa é de que os custos aumentem ainda mais nos próximos meses.
Para tentar equilibrar as contas, as companhias têm priorizado rotas mais rentáveis, geralmente ligadas ao turismo de negócios e aos grandes centros econômicos. Com isso, estados mais dependentes da aviação regional, como os da Amazônia Legal, acabam sofrendo impactos maiores.
A Azul informou que vem ajustando suas operações para manter a rentabilidade das rotas e não descarta novos cortes caso o cenário econômico continue pressionado. Já a Latam afirmou que realiza apenas ajustes pontuais até o momento.
As projeções para junho indicam um cenário ainda mais preocupante. Segundo a Anac, as empresas já estimam redução de 121 voos diários no país, o equivalente a uma queda de 5,3% na malha aérea e retirada de 40 aeronaves da operação.
As informações são do Portal 18horas