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Anos sem julgamento, celas improvisadas e silêncio do Estado, o drama carcerário de Eirunepé-Am
Eirunepé, vive uma realidade que se repete em diversos municípios do estado do Amazonas, a inexistência de uma penitenciária adequada, a delegacia de polícia acabou se transformando, na prática, em um presídio improvisado, uma situação que expõe presos, policiais e a própria sociedade a riscos constantes.
As condições são consideradas precárias. Falta estrutura física, faltam materiais básicos para revistas, segurança e controle interno, o que facilita a entrada de objetos ilícitos, como celulares e drogas. Além disso, o local não foi projetado para custódia prolongada de detentos, aumentando o risco de rebeliões, incêndios e fugas.
A delegacia deveria funcionar apenas como local de prisão temporária, até que o preso fosse encaminhado a uma unidade prisional adequada, especialmente após a conversão para prisão preventiva. No entanto, a realidade é outra, há detentos que permanecem custodiados por um, dois anos ou mais, aguardando julgamento, em um espaço que nunca teve a finalidade de ser penitenciária.
A situação já motivou debates e posicionamentos por parte de entidades representativas, como o sindicato dos policiais civis, que alertam para o esgotamento do sistema e para os riscos enfrentados diariamente pelos servidores. Policiais trabalham sem condições adequadas, sem equipamentos suficientes e sob constante tensão, acumulando funções que vão além do papel da polícia civil.
Apesar dos alertas e das recorrentes denúncias sobre o problema nos municípios do interior, até o momento não há um posicionamento claro do Governo do Estado, sob a gestão de Wilson Lima, sobre um projeto concreto para resolver a falta de presídios regionais. A pergunta que fica é, até quando os interiores do Amazonas continuarão sofrendo com essa situação?
A ausência de um plano estruturado para o sistema prisional no interior evidencia um problema crônico, a delegacia não é penitenciária. Manter presos por longos períodos em locais inadequados não resolve a questão da segurança pública, apenas empurra o problema para os servidores e para uma estrutura que pode colapsar a qualquer momento.
Enquanto isso, Eirunepé segue convivendo com um sistema improvisado, onde o risco é permanente e a dignidade humana, tanto de quem está preso quanto de quem trabalha, fica em segundo plano. A sociedade cobra respostas, será que algum dia o município terá, de fato, um presídio adequado? Ou a precariedade continuará sendo a regra no interior do Amazonas?