Cultura
ECONOMIA ESTAGNADA: Brigas por políticos virou prioridade em Eirunepé e a cidade paga o preço
Eirunepé vive hoje uma das fases mais difíceis de sua história. Um município antigo, tradicional na calha do Juruá, mas que atualmente clama por políticas públicas reais, recursos e, principalmente, união. O que se vê, no entanto, é uma população rachada em dois grupos políticos que transformaram divergência em confronto.
E essa crise não tem relação apenas com situação ou oposição. O problema é muito mais profundo. Falta união. Falta diálogo. Falta pensar no coletivo.
Grande parte dos moradores passa o dia inteiro nas redes sociais apenas para atacar, criticar e espalhar ódio. O clima chegou a um ponto tão extremo que, na última semana, houve até briga de faca motivada por disputa política em Eirunepé, o que demonstra o nível de tensão vivido atualmente no município.
A divisão funciona da seguinte forma, de um lado, estão pessoas que perderam o emprego após o fim da gestão anterior e que hoje criticam aqueles que trabalham na atual administração. Do outro, estão os que conseguiram manter ou conquistar um emprego na prefeitura e sentem que precisam defender sua renda a qualquer custo, atacando o grupo oposto.
No meio dessa disputa, quem mais sofre é o desempregado, é quem não tem perspectiva, é quem não encontra direção. Sem oportunidades, muitos acabam indo para as redes sociais despejar revolta, desinformação e frustração, enquanto o município permanece estagnado economicamente.
Eu sei pessoal, é mais fácil apontar culpados do que tentar entender o problema real. E o problema real é claro. Eirunepé não avança porque não consegue se unir.
O município mais antigo da calha do Juruá hoje não possui praticamente nada que possa servir de orgulho frente a outras cidades da região. Não há indústrias, não existe uma associação comercial ativa, não há associações de moradores fortes, cooperativas estruturadas, polo moveleiro ou usina de asfalto. Falta estrutura, planejamento e visão de futuro.
Existem pequenos empresários e moradores determinados que tentam manter a economia viva e acreditam no potencial de Eirunepé.
No entanto, esses esforços são constantemente sufocados por uma cultura política atrasada, onde muitos pensam apenas no que pode “cair da mesa da prefeitura”. Essa dependência do poder público, somada à ambição política e à divisão, impede o desenvolvimento.
O resultado é a deterioração lenta de um município que poderia ser muito mais. Enquanto a política continuar sendo motivo de briga, ódio e divisão, Eirunepé seguirá perdendo oportunidades, moradores e futuro. A verdade é dura, mas precisa ser dita, sem união, não há desenvolvimento.