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Cheia dos rios coloca quase metade dos municípios do Amazonas em nível de atenção

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A cheia dos rios no Amazonas já afeta diretamente 42% dos municípios do estado, conforme dados da Defesa Civil. Dos 62 municípios amazonenses, três decretaram situação de emergência, dez estão em estado de alerta e outros 13 em nível de atenção, evidenciando a expansão gradual do impacto das enchentes neste início de 2026.

Os municípios de Boca do Acre, Eirunepé e Itamarati, localizados nas calhas dos rios Purus e Juruá, já enfrentam situação de emergência. O governo estadual tenta se antecipar ao pico da cheia, previsto para as próximas semanas, diante do volume de chuvas acima da média em diferentes regiões.

Além das cidades em emergência, estão em alerta Canutama, Carauari, Envira, Guajará, Ipixuna, Juruá, Lábrea, Pauini e Tapauá. Em estágio de atenção encontram-se Amaturá, Apuí, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Fonte Boa, Humaitá, Jutaí, Maraã, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tefé e Tonantins.

Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o acumulado de chuvas na bacia do rio Juruá permaneceu dentro da média entre janeiro e início de fevereiro. Em contrapartida, o rio Solimões e a bacia do Purus registraram volumes superiores ao esperado para o período, contribuindo para a elevação mais acelerada do nível das águas.

O monitoramento hidrológico aponta que as nove calhas de rios do estado já apresentam processo de enchente, com previsão de chuvas intensas principalmente nas regiões oeste e centro-sul. A estimativa é de impacto direto em 35 municípios, atingindo cerca de 173 mil famílias e mais de 690 mil pessoas.

Manaus em estado de atenção
Na capital, Manaus, o nível do rio Negro tem apresentado subida acima da média histórica para o período. Informações do Porto de Manaus indicam elevação superior a um metro apenas nos primeiros dias de fevereiro, alcançando a marca de 23,88 metros. O cenário é monitorado com atenção pelas autoridades, que avaliam a possibilidade de agravamento nas próximas semanas.

Impactos logísticos e econômicos
O avanço das águas pode provocar isolamento de comunidades, interrupção de rotas terrestres e dificuldades no abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos. Há registros de interdições em trechos da BR-230 (Transamazônica), especialmente em áreas próximas ao rio Umari, na calha do Purus, afetando a logística regional.

A elevação dos rios também compromete atividades econômicas locais, com prejuízos à agricultura familiar, pastagens e safras, além de dificultar o escoamento da produção. Diante desse cenário, autoridades estaduais e municipais articulam medidas de assistência humanitária, incluindo envio de cestas básicas, kits de higiene e reforço nos serviços de saúde.

Medidas de prevenção e apoio
O governo do Amazonas realizou a primeira reunião de 2026 do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para alinhar estratégias de resposta. Entre as ações planejadas estão o envio de suprimentos essenciais, fortalecimento da rede de atendimento e monitoramento contínuo das áreas de risco.

Paralelamente, propostas legislativas buscam criar mecanismos de proteção econômica para agricultores ribeirinhos afetados pelas cheias, com o objetivo de garantir renda mínima e segurança alimentar durante o período de inundação.

O cenário segue em monitoramento constante, com novas atualizações previstas nos próximos boletins hidrológicos.

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