Denúncia
Entre o discurso do cuidado e a denúncia de abandono, caso expõe falhas em Casa de Acolhimento de Envira em Manaus; Veja
Um vídeo divulgado nas redes sociais nos últimas horas provocou grande repercussão e indignação popular ao expor o relato de Gerlandio, que afirma ter sido expulso, junto com a esposa, da Casa de Acolhimento da representação do município de Envira, em Manaus.
A mulher é paciente em tratamento contra o câncer, utiliza bolsa de colostomia, passou por cirurgia recente e estava debilitada pelo início da quimioterapia.
Segundo o relato gravado em vídeo, o episódio teria ocorrido por volta das 20h, quando a gestora local da unidade teria determinado que o casal deixasse o local após Gerlandio reivindicar direitos relacionados à permanência na casa. Ele afirma que a decisão foi tomada de forma abrupta, deixando a esposa, em estado clínico frágil, sem abrigo durante a noite.
As imagens circularam rapidamente pelas redes sociais, gerando revolta, comoção e cobranças à administração municipal de Envira. Muitos internautas apontaram contradição entre o ocorrido e o slogan institucional “Gestão e Cuidado”, utilizado pela prefeitura.
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O que diz a coordenação da Casa de Acolhimento
Diante da repercussão, a Coordenação da Casa de Acolhimento e Cuidados divulgou uma Nota de Esclarecimento, na qual classifica como inverídicas as informações apresentadas no vídeo.

De acordo com o documento, a paciente não teria sido expulsa, mas teria saído por livre e espontânea vontade, após o próprio acompanhante retirar seus pertences e colocá-los na rua, em frente à instituição. A coordenação afirma ainda que Gerlandio descumpria com frequência as regras da Casa, adotando comportamentos considerados desrespeitosos, incluindo uso de palavras de baixo calão e supostas ameaças a servidores.
A nota informa que o acompanhante já havia recebido advertências educativas, mas se recusava ao diálogo. Por esse motivo, ele teria sido convidado a se retirar, com prazo para buscar outro local, enquanto a paciente poderia permanecer na Casa, recebendo todos os cuidados necessários da equipe multiprofissional.
Ainda segundo o comunicado, a paciente foi informada de que poderia continuar acolhida, inclusive com a possibilidade de outro acompanhante, caso desejasse, ressaltando que ela sempre manteve bom comportamento dentro da instituição.
A nota é assinada por Maria Joseilda da S. Pinheiro, da Coordenação, e pela enfermeira Tayana Silva dos Santos.
Caso segue gerando questionamentos
Apesar da nota oficial, o caso continua gerando questionamentos e debates sobre a forma como situações sensíveis são conduzidas em casas de acolhimento, especialmente quando envolvem pacientes em tratamento de saúde grave, fora de seus municípios de origem.
Até o momento, não há informações sobre a abertura de procedimento administrativo ou investigação externa para apurar os fatos. A reportagem segue acompanhando o caso e permanece aberta para novas manifestações das partes envolvidas e das autoridades competentes.