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Após matéria sobre o caso Rafaela, Eirunepé Notícias recebe 18 novas denúncias contra o Conselho Tutelar: população cobra respostas e atitude
Desde a publicação da matéria sobre o caso de Rafaela, a criança da comunidade Estirão 1 que gravou um áudio pedindo socorro após ser brutalmente agredida dentro de casa, o Eirunepé Notícias passou a receber uma enxurrada de relatos sobre o que parece ser uma triste realidade repetida: o abandono por parte do Conselho Tutelar em Eirunepé.
Mensagens, áudios e prints chegaram de forma contínua ao nosso WhatsApp nas últimas 24 horas. Foram 18 denúncias diferentes, todas envolvendo a falta de atendimento, omissão e descaso por parte dos conselheiros tutelares do município. Moradores, mães, vizinhos e pessoas indignadas relataram situações chocantes, que envolvem crianças em risco, denúncias ignoradas, conselheiros que não atendem telefone e nenhuma providência concreta tomada.
Pode até parecer que são apenas críticas isoladas de pessoas revoltadas. Pode parecer que são falas de quem “não teve seu problema resolvido”. Mas quando o número de denúncias é tão alto, com relatos tão similares, o que se revela é algo muito mais grave: uma crise estrutural no sistema de proteção à infância em Eirunepé.
“Liguei várias vezes, mandei mensagem e nada. Eles não atendem, não respondem, e a criança continua sofrendo”, disse uma internauta da Vila Cacau. Ela contou que denunciou uma mãe usuária de drogas que deixava um filho autista totalmente desassistido. “O Conselho veio, olhou, falou duas palavrinhas e foi embora. E até hoje, nada mudou.”
Outros relatos falam de casos ainda mais sensíveis. Crianças espancadas, bebês largados com pessoas não aptas, famílias implorando por ajuda e, como resposta, o silêncio. O padrão se repete: o Conselho vai, dá um “alô”, conversa por cima e desaparece. Não há encaminhamento ao Ministério Público. Não há acione imediato da polícia. Não há acompanhamento real. E a pergunta volta com força: qual o verdadeiro papel do Conselho Tutelar em Eirunepé?
No caso de Rafaela, que escancarou a dor vivida por tantas outras crianças, o que se viu foi um pedido de socorro ignorado. Vizinhos relataram que a criança já havia sido visitada pelos conselheiros três vezes, e mesmo assim, nada foi resolvido. Ela continua sob o mesmo teto dos agressores, sofrendo calada. E agora, ao que tudo indica, não é a única.
A função do Conselho Tutelar não é fazer visita social. É garantir direitos. É proteger. É intervir. Quando uma criança está sendo ameaçada, espancada ou negligenciada, o papel do Conselho é acionar imediatamente as autoridades competentes. E quando isso não é feito, estamos diante de uma grave violação institucional uma omissão que também mata, também violenta, também destrói infâncias.
O povo de Eirunepé está cansado. Cansado de ver casos sendo abafados, denúncias sendo ignoradas, e vidas sendo colocadas em risco pela burocracia e pela inércia de quem deveria agir. A cidade clama por mudanças, por profissionalismo, por conselheiros que cumpram seu dever com coragem e responsabilidade.
A confiança da população no Conselho Tutelar está se esgotando. E é bom que se diga: proteger a infância não é favor, é dever constitucional. Quando uma criança como Rafaela diz “eu nasci foi pra viver, não foi pra morrer”, e ninguém escuta, todos fracassamos.
O Eirunepé Notícias continuará dando voz a quem não tem voz. Continuará expondo o que precisa ser dito. Porque omitir essa verdade seria compactuar com o sofrimento de quem mais precisa de proteção. As denúncias não param de chegar. O povo está falando. A cidade está de olho. Eirunepé exige resposta.