Policial
EIRUNEPÉ À DERIVA: Crescem os roubos e a impunidade de menores infratores
Eirunepé vive dias difíceis. Nas últimas semanas, o Portal Eirunepé Notícias recebeu uma enxurrada de denúncias de crimes que vêm acontecendo diariamente no município. O que mais chama atenção, e preocupa, é que a maioria dessas ocorrências envolve adolescentes infratores, com idades entre 14 e 17 anos, que agem com ousadia e total consciência de que não ficarão presos por muito tempo.
De acordo com relatos enviados por comerciantes e moradores, quase todo dia um novo comércio é assaltado. Em alguns casos, dois ou mais estabelecimentos são invadidos na mesma noite. E há um padrão que se repete: jovens encapuzados, às vezes em dupla ou trio, armados de faca ou apenas com a coragem de quem sabe que em 24 horas estará solto novamente.
• UM SISTEMA QUE FALHA
O município de Eirunepé, o mais antigo do Vale do Juruá, ainda não possui penitenciária, nem unidades de internação específicas para menores infratores. O pequeno espaço de detenção da delegacia local é precário, improvisado, e não tem condições de manter jovens separados dos adultos, o que impossibilita a permanência deles por tempo superior a 24 ou 72 horas.
Dessa forma, mesmo após cometerem crimes, os adolescentes são liberados praticamente no mesmo dia. Eles voltam às ruas com ainda mais confiança na falência do sistema. Muitos inclusive se gabam da facilidade com que entram e saem da delegacia, como se a lei fosse apenas uma formalidade sem força em Eirunepé.
• O TRÁFICO AVANÇA, A SOCIEDADE DESACREDITA
Enquanto isso, o tráfico de drogas se fortalece. Esses jovens, muitas vezes usados como mão de obra barata por facções, acabam entrando num ciclo de criminalidade cada vez mais agressivo. E com o aumento das bocas de fumo e a falta de ação firme por parte das autoridades, a população começa a perder a esperança.
“Hoje o que mais se vê são meninas e meninos magros, andando por aí atrás de um cigarro de maconha ou qualquer coisa para vender. E se não derem, eles roubam. Já virou cotidiano”, disse um morador do bairro São José que preferiu não se identificar.
Os comerciantes estão desmotivados, acuados e frustrados. Além da crise econômica que já limita as vendas, eles ainda precisam investir em grades, câmeras, cadeados e segurança privada para tentar resistir à onda de assaltos. Mas nem sempre conseguem.
“Esses meninos não têm medo de nada. Entram no meu comércio pela lateral, arrombam tudo, e no outro dia estão na rua rindo. É revoltante. A gente trabalha duro e não vê retorno nem segurança”, lamenta um comerciante da área central.
• ONDE ESTÃO AS AUTORIDADES?
Diante desse cenário alarmante, o Eirunepé Notícias faz eco ao apelo da população: é urgente uma resposta das autoridades. Onde estão os projetos sociais voltados à juventude? Onde estão os investimentos para criar um centro de internação específico para adolescentes? Por que Eirunepé, com toda sua história, ainda vive como se estivesse esquecido pelo Estado?
Vereadores, parlamentares, líderes comunitários, Polícia Civil, Polícia Militar, Conselhos Tutelares: é hora de agir. Não se trata apenas de prender. Trata-se de oferecer alternativas reais, programas de reinserção, educação, esporte e ocupação, antes que toda uma geração seja engolida pelo crime.
Eirunepé não pode aceitar que a rotina se torne essa: um comércio roubado por dia, uma família com medo por noite, um jovem perdido por semana. A cidade precisa de ação, precisa de dignidade, precisa de esperança.