Economia

Classe empresarial desunida trava o próprio crescimento e contribui para estagnação econômica de Eirunepé-Am

Publicado

em

Enquanto crescem as reclamações sobre a queda nas vendas, a concentração dos pagamentos públicos em apenas uma data do mês e a falta de incentivo ao comércio local, um problema estrutural pouco debatido pode estar contribuindo diretamente para a estagnação econômica da cidade, a ausência de união da própria classe empresarial.

Diferente de municípios onde há atuação organizada por meio de entidades como a Associação Comercial e Empresarial, que articula associações locais em todo o país, aqui não existe uma entidade forte e representativa que reúna os empresários para discutir estratégias, cobrar políticas públicas e promover ações coletivas.

Reclamação constante, mobilização inexistente

É comum ouvir comerciantes criticando a Prefeitura pelo fato de pagar servidores apenas uma vez por mês, situação que, segundo eles, impacta diretamente no fluxo de caixa do comércio. Há também queixas sobre a diminuição do consumo e o aumento das dificuldades financeiras.

No entanto, apesar do discurso recorrente, não há registro de mobilizações organizadas, reuniões frequentes ou iniciativas coletivas consistentes para enfrentar os desafios de forma conjunta.

Sem organização, cada empresário acaba agindo por conta própria e, muitas vezes, pensando apenas na própria sobrevivência.

Individualismo e concorrência interna

Outro ponto que chama atenção é o clima de competição interna. Empresários relatam que há resistência à cooperação, parcerias e campanhas coletivas. Promoções conjuntas, eventos comerciais ou estratégias integradas praticamente não existem.

• Impacto direto no emprego

A consequência é visível, comércio enfraquecido significa menos investimento, menos expansão e, consequentemente, menos contratações.

Sem crescimento do setor privado, a economia local acaba dependendo quase exclusivamente do poder público. Quando os pagamentos se concentram em uma única data, o comércio sente imediatamente. O giro financeiro diminui e o desemprego tende a aumentar.

Falta de organização também é responsabilidade?

A discussão que surge é inevitável, até que ponto a estagnação econômica pode ser atribuída apenas à gestão pública? E qual é o papel da própria classe empresarial nesse cenário?

Sem união, sem representação formal e sem planejamento coletivo, o comércio segue fragmentado e a economia da cidade continua patinando.

A pergunta que fica é, enquanto cada empresário tentar ser melhor que o outro individualmente, quem vai pensar no crescimento de todos?

Leia mais