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Comunidade de Eirunepé-Am, pede justiça pela morte do agricultor vítima de violência após acidente fluvial

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Uma comunidade eirunepense amanheceu consternada com a confirmação do falecimento de Manoel Pereira da Silva, conhecido como “Manoel da Luzia”, agricultor e pescador de 79 anos, morador da Comunidade Igarapé Preto, no Alto Rio Juruá. Homem simples, trabalhador e respeitado na zona rural, ele teve a vida interrompida após um episódio de violência ocorrido no rio, que abalou familiares e reacendeu o debate sobre segurança fluvial e responsabilidade coletiva.

De acordo com relatos repassados por familiares, Manoel se envolveu em um acidente entre sua canoa e outra embarcação ocupada por indígenas que navegavam pelo igarapé. A colisão teria atingido seu braço esquerdo, fazendo com que ele caísse na água. Ao retornar para a canoa, Manoel teria alertado os ocupantes da outra embarcação sobre a necessidade de atenção e de não conduzir motor de popa sob efeito de álcool. Nesse momento, segundo os relatos, ele foi agredido com remos e paus, principalmente na região do tórax, ficando desacordado e com dificuldades para respirar.

O agricultor foi socorrido por um sobrinho que, por acaso, passava pelo mesmo trajeto fluvial. Ele deu entrada no Hospital Regional Vinícius Conrado, em Eirunepé, com quadro grave de insuficiência respiratória. Exames apontaram hemorragia interna, sendo necessário procedimento de drenagem. Após estabilização inicial, Manoel foi transferido em UTI móvel para o Hospital Platão Araújo, em Manaus, onde permaneceu internado, lutando pela vida. Apesar dos esforços da equipe médica, não resistiu às complicações decorrentes das agressões.

A Polícia Civil de Eirunepé esteve no hospital, colheu o depoimento da vítima ainda em vida, um boletim de ocorrência foi registrado pelo filho. O caso está sob investigação para apuração das responsabilidades e esclarecimento completo dos fatos.

A morte de Manoel Pereira da Silva gerou comoção e um forte clamor por justiça. Moradores da zona rural e da cidade cobram respostas das autoridades e medidas efetivas para garantir segurança nos rios, fiscalização do tráfego fluvial e políticas públicas que enfrentem o consumo abusivo de álcool, especialmente em situações que colocam vidas em risco. O apelo é para que o caso não caia no esquecimento e que os responsáveis sejam devidamente identificados e responsabilizados, dentro do devido processo legal.

Manoel deixa esposa, filhos, netos, bisnetos e uma comunidade inteira de luto. Sua trajetória de trabalho e simplicidade agora se transforma em símbolo de um pedido coletivo, justiça, respeito à vida e ações concretas para que tragédias como essa não se repitam nos rios de Eirunepé.

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