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Crise silenciosa: comerciantes relatam queda no movimento e economia travada em Eirunepé-AM

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O Jornal Eirunepé Notícias passou a última semana conversando com comerciantes locais para entender como anda a situação econômica do município. O retrato que encontramos é de preocupação, incerteza e uma economia que parece ter parado no tempo, e no fiado.

Segundo relatos dos próprios comerciantes, as vendas estão fracas e o movimento nas lojas caiu bastante. A maioria não sabe explicar ao certo o motivo, mas todos concordam em uma coisa: a única esperança de melhora é o pagamento do fim do mês. “É o único dia em que circula dinheiro na cidade”, contou um dono de mercadinho da região central.

Durante o mês, é comum que boa parte dos clientes compre no famoso “caderninho”. Fazem suas feiras fiado, anotam, e só no último dia do mês é que conseguem quitar a dívida. E o ciclo se repete: pagam o mês anterior e voltam a fazer compras fiadas para o próximo. Isso cria uma espécie de economia presa no tempo, que não gira com liberdade e nem produz circulação real de capital durante os dias úteis.

Além disso, os comerciantes apontam que falta movimento cultural e social para aquecer o comércio. Grandes eventos, festas regionais ou projetos comunitários poderiam trazer vida às ruas, fomentar o consumo e movimentar as vendas. “A gente sente falta de um calendário cultural forte que movimente a cidade, principalmente nos fins de semana”, comentou uma empreendedora do setor de roupas.

Outro ponto destacado é a falta de união entre os próprios comerciantes e a carência de apoio institucional. Não há incentivo por parte dos bancos, nem da prefeitura ou de órgãos públicos. Falta projeto, falta planejamento e, principalmente, falta diálogo.

Hoje, o motor que ainda mantém o mínimo de estabilidade em Eirunepé é o pagamento da prefeitura e os benefícios como o Bolsa Família. Fora isso, os salários pagos pelo setor privado são muito baixos e insuficientes para aquecer o comércio. “Tem loja que paga R$ 600, R$ 700 pro funcionário passar o dia inteiro dentro do estabelecimento. Isso não gera poder de compra e muito menos consumo”, lamenta um empresário local.

Eirunepé, a cidade mais antiga do Vale do Juruá, parece estar esquecida em termos de desenvolvimento econômico. Com sua rica história, cultura e força popular, poderia estar em outro patamar. Mas a realidade atual é dura: uma cidade que depende do fiado, sobrevive do pagamento no fim do mês e não vê o dinheiro circular de verdade.

É urgente que algo seja feito. Que a classe empresarial se una, que a gestão pública ouça os anseios do povo e que sejam criadas estratégias reais para tirar Eirunepé do sufoco econômico. Do jeito que está, a cidade para, e com ela, os sonhos de quem luta todos os dias por um futuro melhor.

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