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Em entrevista Thiffany Japah diz: “É melhor dá o C.. do que viver puxando saco de políticos de Eirunepé-Am”
A vida nem sempre abre as portas com boas-vindas e nem toda história de superação começa com aplausos. Às vezes, ela começa com choro, rejeição e coragem pra não se calar. Thiffany Japah, mulher trans que viveu em Eirunepé-AM, é o exemplo vivo disso.
Em suas redes sociais, Thiffany contou como enfrentou o preconceito, a exclusão e até situações de abuso psicológico em sua profissão. Ela procurou emprego formal na prefeitura, mas nunca foi chamada. Era como se ela não existisse.
“Eu lá vou passar o dia atrás de ficar me humilhando pra esses políticos por causa de um carguinho, com salário de R$1500?”, escreveu. E assim, decidiu buscar a própria independência: começou a fazer programas e a vender conteúdo na internet. Com o tempo, passou por cirurgias, colocou silicone, cuidou da aparência mas principalmente, da autoestima.
Hoje, ganha mais de R$ 7 mil por mês. Vive bem, sem dever nada a ninguém. Mas o caminho até aqui foi brutal.
Em um desabafo recente, Thiffany revelou uma das situações mais marcantes que já enfrentou: foi contratada por um homem casado que pediu para que ela vestisse uma calcinha infantil e o chamasse de “papai” durante o ato. “Quando terminou tudo, voltei pro meu apartamento chorando. Fiz aquilo pelo dinheiro, mas depois fiquei chocada”, disse.
Ela refletiu que, por trás daquele cliente, podia haver um abusador incubado. “Vá saber o que ele já cometeu por aí. Se já abusou de alguma criança… e veio ocupar o tempo comigo tentando controlar esse vício dele por adolescente.”
Thiffany não romantiza sua profissão. Pelo contrário, alerta: “Parece fácil, mas não é. Passo por muitas situações inesperadas. As pessoas acham que a gente só quer atenção, mas não sabem a força que a gente precisa ter pra não desistir.”
Ela também lançou uma reflexão forte: “Se vocês pesquisarem, vão ver que a pedofilia até diminuiu porque muitos homens casados procuram as trans. É cruel dizer isso, mas é real.”
Num mundo que julga mas não escuta, Thiffany Japah não quer aplausos, quer respeito. Ela não pede pena, mas que parem de apontar o dedo sem conhecer a dor. O que ela enfrentou, poucos teriam coragem de aguentar.
Entre preconceito, lágrimas e sobrevivência, ela se tornou gigante. E Eirunepé, que um dia virou as costas, agora precisa reconhecer que Thiffany venceu sem precisar de cabide de emprego, sem precisar bajular político, e principalmente, sem nunca deixar de ser quem é.
“Tem gente que ainda acha bonito viver bajulando político em troca de promessa. Ficam anos lambendo bota de quem nem lembra o nome deles fora do período de eleição. E quando veem alguém como Thiffany vencendo sozinha, sem pedir migalha a ninguém, se incomodam. O caminho dela pode não ser o mais aceito, mas é dela e é livre. Ser independente assusta porque mostra que é possível viver sem precisar puxar saco, e isso fere o ego de muito cabrestado por aí. Melhor ser julgada por andar com as próprias pernas do que viver se arrastando atrás de migalha e tapinha nas costas.”