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Mesmo com o Juruá seco, Eirunepé enfrenta “fortes cheias” no Diário Oficial e prorroga emergência por mais 45 dias
Em Eirunepé, parece que o Rio Juruá não precisa mais de água para continuar “transbordando”. A Prefeitura Municipal prorrogou oficialmente, por mais 45 dias, a situação de emergência causada pela cheia mesmo com o rio já seco e sem nenhuma área alagada visível. O decreto foi publicado no Diário Oficial dos Municípios na última quinta-feira, 17 de julho, e assinado pelo prefeito em exercício, vereador Jocivande José Coelho da Silva.
Segundo o Decreto nº 066/2025, a medida se baseia nos “efeitos persistentes” da cheia, que teria ocorrido entre 23 de março e 22 de abril. Só esqueceram de avisar que a cheia já virou poeira faz tempo, e que até a própria prefeita, em vídeo recente, afirmou estar preocupada com o rio secando rápido demais, inclusive mandando medicamentos o mais rápido possível para a cidade por medo do nível continuar baixando.
Mas, em Eirunepé, o improvável é sempre possível: com ruas secas, pontes visíveis e o sol rachando o meio da testa, seguimos oficialmente “em estado de emergência”.
Enquanto o povo tenta entender se a prorrogação é mesmo por causa das águas ou por motivos burocraticamente convenientes, o decreto abre caminho para a continuidade de ações “emergenciais” incluindo dispensas de licitação, que são sempre mais fáceis de justificar quando o caos está oficialmente decretado no papel, ainda que invisível nas ruas.
Segundo o documento, os impactos ainda afetam moradias, infraestrutura e mobilidade urbana. Quem anda pelas ruas, no entanto, vê o que parece ser o oposto: poeira, sol, lama seca e o rio quase no osso.
Enquanto isso, ações como recuperação de pontes, estradas e apoio a famílias atingidas seguem sendo prometidas, embora parte da população diga que nunca viu nem ponte, nem estrada, nem apoio. Só o decreto mesmo.
A situação de “emergência” foi prorrogada até o dia 4 de setembro. Isso mesmo: mais 45 dias de emergência com céu azul, rio baixo e previsão de estiagem. Vai que chove… no papel.
E assim segue o município das águas invisíveis, onde o real nem sempre coincide com o decretado.