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No ritmo da azeitona: A nova geração de pequenos empreendedores de Eirunepé-Am
Em Eirunepé, onde a vida pulsa entre o simples e o grandioso, uma cena do último domingo (07/12), chamou minha atenção e aqueceu o coração, crianças com sacolinhas de azeitona preta, algumas para comer, outras para vender, transformando um costume regional numa pequena porta aberta para o futuro.
Hoje, uma sacola cheia de azeitona preta sai por 15 reais. E é com esse dinheiro que muitos deles compram uma merenda melhor na escola, juntam para dividir um lanche com os amigos à tarde ou guardam para algum sonho que já começou a nascer. Em meio a esse vai e vem, um dos meninos olhou firme e disse, sem medo das palavras, “É melhor do que roubar.” Uma frase simples, mas que corta o silêncio e diz muito sobre caráter, direção e escolhas.
Conversando com eles, dá para ver que ninguém ali está perdido. Entre risos tímidos e planos que mal cabem na idade, falam sobre querer ser médico, juiz, policial ou seja lá o que o futuro permitir. E o bonito é isso, a infância continua sendo infância, mas também vai aprendendo cedo que responsabilidade, esforço e foco são companheiros de caminhada.
A temporada da azeitona virou mais do que um lanche, virou escola da vida. Ali, na estrada que vai para o aeroporto da cidade, na beira da rua, nas sacolas improvisadas, nasce uma geração que não espera pelo amanhã, constrói. Uma geração que trabalha com honestidade, que se movimenta, que entende que cada real guardado representa um passo, por menor que seja.
Porque em Eirunepé, até uma simples azeitona sabe contar história. E, neste momento, ela está contando a história de pequenos empreendedores que já começam a escrever o futuro com as próprias mãos.