Geral
Queda de avião com 12 mortos em Rio Branco-AC completa mais de um ano sem conclusão da investigação
No dia 29 de outubro de 2023, uma tragédia aérea chocou o Acre e o Brasil. Um avião modelo Cessna Caravan, operado pela empresa ART Táxi Aéreo e identificado pelo prefixo PT-MEE, caiu poucos minutos após decolar do Aeroporto Internacional de Rio Branco, matando todos os 12 ocupantes a bordo, incluindo uma criança de apenas 1 ano e 7 meses. Agora, quase um ano e oito meses após o acidente, a investigação ainda não foi concluída e segue em andamento pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).
Entenda o acidente
A aeronave havia acabado de decolar com destino ao município de Envira (AM), transportando dois tripulantes e dez passageiros. Cerca de um quilômetro após a cabeceira da pista, o avião perdeu altitude e caiu em uma área de mata fechada. Houve explosão seguida de um incêndio, o que causou a carbonização dos corpos e dificultou o trabalho das equipes de resgate e identificação, exigindo exames de DNA.
As vítimas eram todas naturais do Acre e do Amazonas. Entre elas, estavam empresários, professores, servidores públicos e uma criança. A comoção foi geral em todo o estado e levou o governo a decretar luto oficial por três dias.
Investigação em aberto
De acordo com informações mais recentes do CENIPA, a investigação já atingiu 60% de avanço, mas ainda não há previsão de conclusão do relatório final. Os investigadores estão atualmente na fase de análise técnica de sistemas da aeronave, componentes mecânicos, histórico de manutenção e performance da tripulação.
Também já foram finalizados os estudos sobre aspectos psicológicos e operacionais da tripulação, mas outras etapas mais complexas exigem tempo, cruzamento de dados e cooperação técnica com fabricantes internacionais.
Em nota oficial, o CENIPA reforçou que investigações de acidentes aéreos não visam culpabilizar pessoas ou instituições, e sim prevenir novos acidentes, por meio da emissão de Recomendações de Segurança baseadas em análises técnicas e científicas.
Situação da aeronave e operação
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o avião estava com toda a documentação regularizada, inclusive o certificado de aeronavegabilidade válido até agosto de 2024. O voo era um serviço autorizado de táxi aéreo com previsão de rota entre Rio Branco (AC), Envira (AM) e depois Eirunepé (Am).
No entanto, apesar da regularidade documental, as causas da perda de controle ainda não foram esclarecidas. Possibilidades como falha mecânica, erro humano ou fatores climáticos não foram descartadas.
A dor das famílias
Para os familiares das vítimas, o tempo apenas aumentou a angústia. A ausência de um relatório final dificulta o fechamento emocional do luto e levanta dúvidas sobre as responsabilidades pelo ocorrido. Algumas famílias cobram maior transparência e celeridade no processo.
“É difícil passar um ano e não ter nenhuma resposta definitiva. Perdi minha filha e meu neto. Queremos apenas entender o que aconteceu e ter certeza de que isso não vai se repetir com outras famílias”, desabafou uma das mães das vítimas, em entrevista concedida no início deste mês.
Conclusão
A tragédia da queda do avião em Rio Branco segue sem respostas conclusivas, e o silêncio do relatório final mantém viva a dor de quem perdeu entes queridos. Enquanto o CENIPA trabalha nos bastidores com análises técnicas complexas, a sociedade cobra não apenas explicações, mas também garantias de que lições serão tiradas dessa tragédia.
Afinal, cada vida perdida ali tinha sonhos, histórias e famílias e elas merecem mais do que o tempo: merecem verdade e justiça.