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“Se falar a verdade dói, imagine ser calado: Presidente da câmara de Eirunepé mira em portais locais”

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Um documento assinado pelo presidente da Câmara Municipal de Eirunepé, vereador José Adilson Alves da Silva, conhecido por “TITA”, vem causando polêmica na cidade. No requerimento nº 001/2025, enviado ao plenário da Casa Legislativa, o parlamentar solicita que seja encaminhado um ofício à Polícia Civil do Estado do Amazonas, Delegacia de Eirunepé, pedindo a identificação e notificação dos responsáveis por páginas digitais conhecidas na região, como Eirunepé Show, Eirunepé Memes, Eirunepé Notícias, Eiru Notícias, entre outras.

O argumento apresentado pelo vereador é de que esses portais estariam disseminando “notícias falsas e informações distorcidas”, causando desinformação e incitando desordem social. No texto, o presidente justifica que a medida visa proteger a população contra as chamadas fake news e preservar a tranquilidade pública, citando artigos da Constituição Federal, do Código Penal e do Marco Civil da Internet.

Entretanto, a solicitação tem gerado fortes críticas e levantado questionamentos importantes: onde termina a proteção contra notícias falsas e onde começa a censura à imprensa e à liberdade de expressão?

Vereadores que não concordaram, apontam que, ao pedir a investigação direta de páginas de notícias locais, o requerimento pode abrir um perigoso precedente para perseguição de veículos independentes, principalmente em cidades pequenas como Eirunepé, onde o poder político costuma se incomodar com críticas públicas. Muitos enxergam o documento como uma tentativa de silenciar vozes que, ainda que de forma humorada ou crítica, vêm pautando assuntos que mexem com a realidade local.

Outro ponto polêmico é a seletividade: A medida não cita páginas oficiais ou ligadas a grupos político da atual gestão que compartilham informações sem apuração completa, levantando suspeitas de que o pedido tem caráter mais político do que jurídico.

O debate agora gira em torno da seguinte questão: o que é realmente Fake News em Eirunepé? Uma denúncia que expõe falhas na gestão pública? Uma crítica em tom de humor que incomoda figuras políticas? Ou apenas informações fabricadas para manipular a opinião da população?

Enquanto o requerimento aguarda aprovação dos vereadores, a população acompanha atenta. Para alguns, trata-se de uma medida necessária para conter abusos na internet. Para outros, é apenas mais uma tentativa de usar o aparato do Estado para calar vozes críticas e sufocar a liberdade de expressão na cidade.

No fim, o que se percebe é que Eirunepé segue dividida: de um lado, os que defendem a ordem; do outro, os que enxergam o risco de censura disfarçada de legalidade.

  • A pergunta que fica é: Será que a Câmara Municipal deveria gastar energia tentando investigar páginas de notícias locais, ou deveria se preocupar em resolver os problemas reais que afligem a população?

O Eirunepé Notícias reforça que sempre trata suas matérias com responsabilidade e respeito. Nosso trabalho é fundamentado em denúncias, fatos e registros que chegam até nós, nunca em invenções ou ataques pessoais gratuitos. Todas as publicações têm como base informações verificadas, áudios, documentos ou relatos consistentes.

Entendemos que, em uma cidade pequena, nem todas as matérias agradam, especialmente quando envolvem nomes de pessoas públicas ou situações delicadas. No entanto, reafirmamos: o nosso compromisso é com o jornalismo independente, com a verdade e com o direito da população de ser informada. O nosso jurídico e os sindicatos de Jornalismo já foram informados!

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