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Solenidade na Câmara de Eirunepé: Tapete vermelho para a politicagem, silêncio para os problemas reais do povo
A Câmara Municipal de Eirunepé foi palco, nesta sexta-feira (30), de um espetáculo vergonhoso: políticos sorrindo, tapinhas nas costas, entrega de títulos, discursos encenados e até banquete, tudo isso regado a bajulação, enquanto o povo continua sem comida na mesa, sem emprego e sem esperança.
A população? Ficou de fora. Literalmente.
Só assistindo de um telão lá fora. Sem voz. Sem vez.
Só serviu para aplaudir e fingir que acredita.
Banquete para poucos, migalhas para o povo
Enquanto o comércio local agoniza e famílias vivem apertadas entre o preço da carne e o botijão de gás, as autoridades saboreavam o luxo de um banquete reservado, dentro da própria Câmara, com direito a pratos especiais, sucos gelados e abraços hipócritas.
“É comida pra político, não pro povo. O povo serve pra encher galeria e bater palma quando mandam. Festa de rico com dinheiro público”, comentou uma servidora do posto de saúde Ponce de Leon.
A ironia? Usam o prédio público, pago com dinheiro do povo, para homenagear entre eles mesmos.

Título ao prefeito de Itamarati: homenagem ou dívida política?
Um dos momentos mais questionáveis da noite foi a entrega do título de cidadão eirunepeense ao prefeito de Itamarati, João Campelo.
A pergunta é inevitável:
Por que essa homenagem agora, e não há quatro anos, quando ele já era prefeito? O que foi feito de tão importante por Eirunepé nos últimos meses que justifique isso?
A resposta parece óbvia:
João Campelo não ganhou um título. Recebeu um pagamento simbólico. Um agrado político disfarçado.
“Nunca vi esse homem colocar o pé num ramal de Eirunepé. Mas ganha título como se tivesse salvado a cidade. Isso é zombar da nossa cara”, disse um Guarda Municipal.
Audiência sobre a estrada Feijó–Envira: farsa reciclada
Como se não bastasse, o evento ainda teve como “cereja do bolo” uma audiência pública para debater a estrada Feijó–Envira, uma promessa velha, usada e reusada a cada ciclo político.
Sim, essa estrada poderia ser histórica para a economia local: baratear produtos, romper o monopólio de Manaus, fortalecer o comércio com o Acre.
Mas não se enganem: o discurso é bonito, mas o objetivo é sujo.
Usaram o tema apenas como cortina de fumaça. Nenhum plano real, nenhuma proposta concreta, nenhuma consulta popular.
“Se fosse um evento para debater mesmo o futuro da estrada e do comércio, chamariam o povo, os empresários, os produtores rurais. Mas só veio político, e bajuladores Então já sabemos o real objetivo”, disse um morador que mora próximo a câmara de vereadores.
Enquanto isso, Eirunepé afunda
Enquanto os engravatados se alimentam de prestígio e propaganda, Eirunepé apodrece em silêncio:
• Comércios falindo
• Jovens sem oportunidades
• Ramais intransitáveis
• Agricultores abandonados
• Saúde doente
• Educação morrendo aos poucos
Mas para quem estava na Câmara, estava tudo lindo. Bastava sorrir, bater palmas e engolir o discurso.
O problema não é o título. É o teatro.
Ninguém é contra reconhecer quem realmente faz.
Mas dar honraria para quem nunca botou o pé no barro, nunca sentou com o povo, nunca trouxe desenvolvimento real para Eirunepé, é uma afronta à inteligência do cidadão.
Foi uma noite de espetáculo político, bancada pelo povo, sem participação do povo. Uma peça ensaiada, num teatro onde todos os atores fingem que estão salvando a cidade, enquanto a cidade pega fogo, ou será que estamos sendo cruéis de mais nas palavras??