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Crianças indígenas se abraçam contra o frio em praça de Eirunepé-Am
Na manhã desta terça-feira (1º), um flagrante silencioso e profundo tomou conta da praça em frente à orla, próximo ao Bradesco, em Eirunepé (AM). Enquanto o tempo fechava o vento forte e o frio tomava conta da cidade algo raro, mas cada vez mais presente duas crianças indígenas foram vistas encolhidas, se abraçando sobre um banco de concreto para tentar se aquecer.
A imagem fala por si só. Com roupas simples, sem cobertas, elas usaram o que tinham: o calor uma da outra. O vento cortante parecia não perdoar nem mesmo os pequenos corpos protegidos por blusas simples. Em meio ao concreto frio e às cores desbotadas da estrutura da praça, o que se viu foi um gesto puro de sobrevivência e afeto: o abraço.
É impossível não se sensibilizar com a cena. Não é apenas uma fotografia, é um retrato da realidade de muitas crianças da nossa cidade. Crianças que, além da luta diária por dignidade, ainda enfrentam as baixas temperaturas sem estrutura, sem cobertores, sem lar adequado. O frio pode parecer pequeno para quem tem um quarto, uma manta, uma parede que isola o vento. Mas para quem vive à margem, o frio castiga como uma dor invisível.
O registro foi feito por moradores que passavam pelo local e não conseguiram ignorar a imagem. Alguns comentaram que as crianças são vistas com frequência circulando na região da praça, próximas da orla, e que costumam brincar ali, mesmo em dias frios.
Este flagrante nos obriga a refletir. Onde estão as políticas públicas para a infância? Para os povos originários? Para aqueles que, mesmo sendo os primeiros desta terra, ainda são os últimos a serem lembrados?
Em tempos de frieza social, esse abraço inocente talvez seja o gesto mais poderoso do dia. Um lembrete de que, mesmo em condições duras, a humanidade sobrevive, especialmente entre aqueles que têm tão pouco, mas ainda sabem dar tudo: afeto, presença e calor.
Enquanto muitos passam apressados, ocupados com suas rotinas, essas crianças permanecem ali, quase invisíveis. Que a cena desta manhã sirva de alerta, de inspiração e de chamado para que possamos olhar com mais empatia, agir com mais humanidade e cobrar com mais força o cuidado com os nossos pequenos, principalmente os que mais precisam.