Defensoria pública
Estudantes de Eirunepé e Humaitá debatem mudanças climáticas em ações da Defensoria do Amazonas
Atividades do projeto “Sementes do Amazonas” abordam preservação, responsabilidade coletiva e os impactos da seca no estado
O projeto “Sementes do Amazonas”, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM), chegou aos municípios de Eirunepé e Humaitá durante este mês de agosto. Com palestras voltadas à educação ambiental, a iniciativa foi realizada no Ceti Professora Neuza Alves Barroso, em Eirunepé, e na Escola Estadual Duque de Caxias, em Humaitá, e deve avançar para outros municípios do Amazonas.
Desde julho, o Amazonas está vivenciando grandes ondas de calor, com a possibilidade de enfrentar uma estiagem severa e o pior El Niño dos últimos tempos, segundo projeções de agências climáticas globais. Com o projeto desenvolvido pela Defensoria Pública, o objetivo é alcançar estudantes da capital e do interior com palestras e dinâmicas que expliquem o papel que a sociedade tem nas mudanças climáticas que impactam o mundo atualmente.
Na Calha do Juruá, no município de Eirunepé, a defensora pública Marcela Vignoli foi a responsável por ministrar a ação educativa no Ceti da cidade e ressaltou a importância de o diálogo acontecer dentro das unidades de ensino do interior, capacitando os próprios alunos como replicadores de conhecimento.
“Temos a missão de conscientizar e promover esse pensamento de mudança, que pode impactar no dia a dia desses alunos dentro e fora do contexto escolar. A partir do que eles escutaram aqui, podem passar as informações adiante para um amigo, um familiar, um vizinho, ou seja, vão replicar o conhecimento obtido”, pontuou.
Segundo dados do Inep, a forma mais comum de o tema aparecer nas aulas é por meio de projetos transversais e interdisciplinares (64% dos colégios), seguida de conteúdos presentes no currículo (52%); 11% relataram possuir componente curricular específico sobre o assunto e apenas 10% desenvolvem a educação ambiental como eixo principal.
Em Humaitá, a 590 quilômetros da capital, a Prefeitura do município já decretou situação de emergência em saúde pública por até 180 dias em razão da seca, que já atinge a Calha do Madeira. A previsão é que ao menos 200 comunidades ribeirinhas da região sejam afetadas diretamente pela seca do rio, principal meio de acesso aos locais.
Para a defensora pública Fernanda Carvalho, que ministrou uma palestra para estudantes da rede pública de ensino, explicar por que essas mudanças climáticas acontecem e como a população pode mitigar os efeitos pode ter um resultado positivo para os estudantes e para as pessoas que convivem com eles.
“Falamos sobre preservação ambiental, responsabilidade coletiva e o protagonismo da juventude na construção de um futuro sustentável. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas reforça seu compromisso com a educação cidadã e o diálogo. Agradeço à equipe escolar e aos estudantes pelo acolhimento e espero que essa seja apenas a primeira de muitas oportunidades de troca”, afirmou.