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Indígenas ocupam prédio da Funai em Eirunepé e exigem nomeação urgente de coordenador: “O Pau vai Quebrar!!”
A paciência dos povos indígenas da região do Alto e Médio Juruá chegou ao limite. Indígenas de diversas etnias decidiram ocupar o prédio da Coordenação Técnica Local (CTL) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Eirunepé, que está sem coordenador desde fevereiro. A ocupação, segundo eles, só vai terminar quando houver um posicionamento oficial e concreto da sede da Funai em Brasília sobre a nomeação de um novo coordenador para o município.
O prédio, inaugurado há pouco mais de sete meses com pompa, discursos e promessas, hoje encontra-se sem comando, sem liderança e sem ninguém para dar andamento às demandas dos povos originários da região. A denúncia veio à tona nesta semana, com indígenas alertando que estão há meses tentando contato, enviando ofícios e pedindo diálogo com a Funai nacional, mas até agora nada foi resolvido.
“Eu coloquei meu nome à disposição, passamos por uma escolha interna entre os povos e eu fui escolhida. Mas a Funai em Brasília está travando tudo, dizendo que eu precisaria ser cedida da Seduc por ser professora. Já se passaram dois meses e nem responderam o ofício. Enquanto isso, nosso povo está sem acesso a direitos básicos”, afirmou Jeana Baré, indígena do povo Baré, do Alto Rio Negro, e moradora da região.
A ausência de um coordenador tem gerado uma verdadeira paralisia nas ações da Funai no município. Sem essa figura de liderança, não é possível fazer encaminhamentos burocráticos, nem dar sequência a demandas relacionadas à saúde, educação e proteção territorial. A situação está afetando diretamente as comunidades indígenas, que dependem do órgão para garantir sua existência digna.
Kadji Josiel Kanamir, outro indígena que participa da ocupação, lamenta o descaso. “Estamos aqui ocupando este espaço porque a gente quer que a Funai, em Brasília, ouça esse pessoal aqui do Juruá. Somos nós que estamos na ponta, que sentimos na pele o abandono. Sem coordenador, sem diálogo, sem respeito”, desabafa.
Segundo os ocupantes, essa é apenas mais uma de várias tentativas de chamar a atenção das autoridades federais. Eles já enviaram documentos, reclamações e ofícios, todos ignorados. O sentimento entre as lideranças indígenas é de invisibilidade e abandono por parte do governo federal.
A reportagem do Eirunepé Notícias tentou contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. Caso haja algum posicionamento oficial, a matéria será atualizada.
Enquanto isso, os povos indígenas do Juruá seguem firmes na ocupação do prédio que deveria ser a casa deles, mas que hoje está vazio de representatividade e cheio de promessas não cumpridas.
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